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A insolvência da empresa: proteger a empresa ou salvar o emprego?

Henriques Ngolome
15/7/2026
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Recuperar empresas viáveis e proteger quem vive do seu trabalho não são objectivos incompatíveis; são, antes, duas faces da mesma política de desenvolvimento económico.

Durante muito tempo, a falência de uma empresa significava, quase inevitavelmente, o encerramento da actividade, a perda de postos de trabalho e a frustração das expectativas dos credores. Hoje, essa visão pertence ao passado. O moderno Direito da Insolvência, adoptado por Angola com a aprovação da Lei n.º 13/21, de 10 de Maio, passou a privilegiar a recuperação da empresa economicamente viável, reconhecendo que preservar uma empresa pode ser mais vantajoso do que simplesmente liquidar o seu património.

Esta mudança representa uma evolução importante. A empresa deixou de ser vista apenas como património do empresário para ser entendida como uma organização produtiva que gera emprego, riqueza e estabilidade social. Sempre que existam condições para a sua recuperação, a continuidade da actividade económica pode beneficiar simultaneamente trabalhadores, credores e o próprio Estado.

Contudo, importa não esquecer que, em qualquer processo de insolvência, os trabalhadores são normalmente os primeiros a sentir os efeitos da crise. Para muitas famílias, o salário constitui a única fonte de subsistência. É por essa razão que o legislador angolano conferiu aos créditos laborais uma posição privilegiada no processo de insolvência, colocando-os entre os créditos com maior protecção jurídica.

Apesar deste avanço legislativo, a investigação demonstra que a protecção legal, por si só, nem sempre garante o pagamento efectivo dos trabalhadores. Quando a massa insolvente é insuficiente, mesmo os créditos privilegiados podem não ser integralmente satisfeitos, revelando que o verdadeiro desafio já não é apenas jurídico, mas também económico e institucional.

O futuro do Direito da Insolvência em Angola dependerá, por isso, da capacidade de tornar efectivas as soluções previstas na lei. Recuperar empresas viáveis e proteger quem vive do seu trabalho não são objectivos incompatíveis; são, antes, duas faces da mesma política de desenvolvimento económico. Uma economia forte constrói-se com empresas sustentáveis, mas também com trabalhadores protegidos e relações laborais assentes na justiça e na confiança.