Apenas 24% dos alunos em Angola concluem o ensino secundário (10.ª à 12.ª classe), segundo o mais recente Relatório de Monitorização Global da Educação de 2026 da UNESCO. O documento, que faz referência a dados de 2024, mostra que no País 64% das crianças terminam o ensino primário, uma taxa que cai para 42% nos alunos do primeiro ciclo do ensino secundário e para menos de um quarto (24%) no segundo ciclo do ensino secundário.
De acordo com o relatório consultado pela E&M, a taxa de crianças e jovens fora do sistema de ensino agravou-se entre 2015 e 2024. No primário, a exclusão subiu de 25% para 32%, correspondendo a mais de dois milhões de crianças afastadas das salas de aula. Em termos regionais, este dado coloca Angola entre os países da África Subsaariana com as taxas mais altas de crianças fora do sistema de ensino.
O primeiro ciclo do ensino secundário (7.ª à 9.ª classe) registou também um aumento da exclusão de 22% para 30%, cerca de 856 mil jovens. No segundo ciclo (10.ª à 12.ª classe), a taxa passou de 36% para 45%, afectando 1,12 milhões de estudantes.
O documento, que aborda sobre a situação mundial da Educação, assinala que, apesar do aumento do número de alunos fora do sistema escolar, Angola registou avanços na taxa de conclusão do ensino básico e secundário na última década (entre 2015 e 2024). No primário, a conclusão subiu de 55% em 2015 para 64% em 2024. Já no primeiro ciclo do secundário, passou de 36% para 42%, e no segundo ciclo, de 20% para 24%.
Entre os factores que dificultam a permanência escolar, a UNESCO destaca a entrada tardia no sistema, elevadas taxas de repetência e o desfasamento entre a idade dos alunos e a classe frequentada. Além disso, explica o estudo, persistem desigualdades sociais e geográficas, que penalizam sobretudo famílias mais pobres e residentes em áreas rurais.
Corte no financiamento e sobrelotação
O relatório aponta que o investimento do Estado no sector educativo diminuiu na última década, de 3,5% do PIB em 2015 para 2,5% em 2024. Em proporção da despesa pública total, a Educação recebeu apenas 6,5% em 2024, contra 8,9% em 2015.
No que diz respeito aos recursos humanos, o sistema enfrenta turmas sobrelotadas, com um rácio médio de 56 alunos por professor no ensino primário. Embora as estatísticas indiquem que mais de 80% dos docentes receberam formação, apenas 53% a 54% são formalmente qualificados.
Sem figurar entre os países com progressos mais acelerados, Angola apresenta um desempenho abaixo de alguns pares africanos em termos de conclusão do ensino, o que, segundo o estudo, reforça a necessidade de políticas mais eficazes para melhorar a retenção e a qualidade do sistema educativo.
Uma das medidas implementadas por Angola e citadas no estudo é o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) que inicialmente foi projectado com um custo anual de 450 mil milhões Kz/ano mas que foi cortado para 239 milhões de Kwanzas. O PNAE prevê alimentar mais de cinco milhões de alunos do ensino primário.
A nível global, a população fora da escola voltou a crescer desde 2015, atingindo 273 milhões em 2024, o que significa que uma em cada seis crianças, adolescentes e jovens está excluída da educação. A África Subsaariana registou uma desaceleração acentuada na permanência escolar, em grande parte devido ao crescimento populacional. Apenas dois terços dos jovens completam a educação secundária no mundo.

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