O CEO da Assertiva, empresa que actua na área de gestão estratégica e de projectos, afirmou recentemente em Luanda que o País ainda enfrenta limitações importantes ao nível da maturidade organizacional.
“Ainda existem lacunas na preparação e na capacidade de incorporar soluções nos processos organizacionais”, reforçou Kelvin Silva, referindo-se particularmente à adopção de tecnologias emergentes como a Inteligência Artificial e ferramentas de Business Intelligence.
Falando na conferência de imprensa de apresentação da Conferência Internacional Next PMO, que acontece nos próximos dias 4 e 5 de Maio, realizada pela empresa que dirige, o gestor garantiu que o evento pretende colocar no centro do debate o papel estratégico dos Escritórios de Gestão de Projectos (PMO - Project Management Office) no contexto organizacional angolano, sendo uma estrutura essencial dentro das organizações, responsável por alinhar a execução dos projectos com os objectivos estratégicos.
Mais do que um órgão de suporte, explicou, trata-se de um elemento estruturante que garante que os projectos não sejam desenvolvidos de forma isolada, mas sim integrados numa visão global e orientada a resultados.
A iniciativa surge num momento em que o país regista um crescimento significativo em termos de projectos e investimentos, mas enfrenta desafios relevantes no que diz respeito à entrega efectiva de valor.
Ao contrário da gestão de projectos tradicional, que se concentra na execução de iniciativas específicas, o PMO actua como um sistema de governação, supervisão e orientação, e é dentro desta estrutura que diferentes metodologias (desde modelos clássicos até abordagens ágeis) são organizadas e aplicadas de forma coerente, assegurando consistência e eficiência na entrega.
De acordo com a nota enviada à E&M, a conferência, para além de sessões técnicas, como uma Masterclass inserida num circuito internacional de formação, com foco na aplicação prática de tecnologias e metodologias inovadoras na gestão estratégica, inclui mesas redondas e painéis de debate que irão abordar sectores-chave da economia, como telecomunicações, construção civil e infraestruturas, banca e seguros.
Encontro visa discutir desafios enfrentados pelas organizações angolanas
A escolha de Angola como palco desta conferência está directamente ligada ao actual dinamismo económico do país, destaca Kelvin Silva, que alerta entretanto que o principal desafio não está apenas na execução de projectos, mas sim na sua capacidade de gerar valor real. Dados globais indicam que cerca de 70% dos projectos não conseguem atingir os resultados esperados, o que levanta questões críticas sobre planeamento, execução e alinhamento estratégico, referiu.
“Mais do que discutir investimento, precisamos questionar o valor gerado. Que valor está a ser criado? Quando é que esse valor surge? E como pode ser maximizado?”, questiona o responsável, defendendo uma abordagem mais crítica e orientada para resultados.
Neste diapasão, a conferência pretende estimular uma reflexão profunda sobre as causas das falhas na execução estratégica, incentivando a adopção de práticas mais ajustadas à realidade local. Embora as boas práticas internacionais sejam uma referência importante, há um reconhecimento claro de que estas devem ser adaptadas ao contexto angolano, respeitando as suas especificidades.
Mais de 200 pessoas participam no evento
O evento tem como público-alvo quadros de topo das organizações, incluindo directores gerais, CEOs, presidentes de conselhos de administração e assessores, mas está também aberto a empreendedores e interessados na área.
A organização prevê a participação de cerca de 250 pessoas, criando um espaço privilegiado para networking e construção de soluções conjuntas, ao destacar o impacto social da iniciativa.
Nessa ordem, cerca de 30% do valor arrecadado será destinado a um projecto de formação que visa capacitar mais de mil jovens em todo o país, com foco em competências ligadas ao PMO e à empregabilidade, contribuindo para o desenvolvimento de capital humano qualificado, avança a nota da organização.
Preparado ao longo de três anos, o evento enfrentou desafios para integrar a agenda internacional, sendo agora concretizado num momento considerado “oportuno”.


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