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Angola entre os nove países que concentram mais crianças sem qualquer dose de vacina em 2025

Teresa Fukiady
15/7/2026
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Foto:
DR

Em conjunto, estes países concentraram 52,4% de todas as crianças que não receberam qualquer dose de vacina no último ano.

Angola integra a lista dos nove países que concentram o maior número de crianças sem qualquer dose de vacina em 2025, segundo as Estimativas Anuais de Cobertura Nacional de Imunização (WUENIC), divulgadas nesta quarta-feira, 15, pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

Além de Angola, a lista inclui a Nigéria, o Iémen, a República Democrática do Congo, a Índia, a Indonésia, a Etiópia, o Afeganistão e o Paquistão. Em conjunto, estes países concentraram 52,4% de todas as crianças que não receberam qualquer dose de vacina no último ano.

Segundo o relatório, Angola é o quarto país africano com o maior número de crianças sem vacinação e apresenta uma das mais baixas coberturas da primeira dose da vacina combinada contra a difteria, o tétano e a tosse convulsa (DTP1). A cobertura está fixada em 67%. As estimativas indicam que, no país, mais de 400 mil crianças não receberam esta primeira dose, permanecendo sem protecção contra estas doenças.

O relatório estima que, no ano passado, 13,5 milhões de crianças não receberam qualquer vacina durante o primeiro ano de vida. Embora este número represente uma redução de cerca de 750 mil crianças em relação ao ano de 2024, o progresso continua insuficiente para cumprir as metas da Agenda de Imunização 2030 que prevê reduzir para metade o número de crianças sem qualquer dose de vacina, passando das 12,8 milhões registadas em 2019 para 6,4 milhões até 2030.

Segundo a OMS e o UNICEF, em 2025, 90% das crianças em todo o mundo (cerca de 116 milhões) receberam, em 2025, pelo menos uma dose da vacina contra a difteria, tétano e tosse convulsa (DTP), enquanto 85%, o equivalente a 110 milhões, completaram o esquema de três doses. Apesar da melhoria de um ponto percentual face a 2024, a cobertura vacinal mundial continua abaixo dos níveis registados antes da pandemia da COVID-19.

Outro motivo de preocupação é o aumento do número de crianças que iniciam a vacinação, mas não concluem o esquema recomendado. Estima-se que 7,3 milhões de crianças receberam a primeira dose da vacina DTP, mas abandonaram o calendário vacinal antes de receberem a primeira dose da vacina contra o sarampo.

Como consequência, a cobertura vacinal contra o sarampo permanece estagnada: 84% das crianças receberam a primeira dose (MCV1) e 77% a segunda dose (MCV2). Ambos os indicadores continuam muito abaixo dos 95% considerados necessários para prevenir surtos da doença. Em resultado, 57 países registaram surtos de sarampo de grande dimensão ou com consequências graves em 2025.

O relatório indica ainda que as regiões das Américas e do Sudeste Asiático recuperaram totalmente os níveis de cobertura vacinal registados antes da pandemia, enquanto África, Mediterrâneo Oriental e Europa permanecem abaixo desses indicadores.

As agências das Nações Unidas sublinham que mais da metade das crianças sem nenhuma dose da vacina vivem em contextos de vacinação infantil precária, embora representem apenas cerca de um terço da população infantil mundial. Nesses contextos, os programas de imunização são frequentemente prejudicados por instabilidade política, insegurança ou subfinanciamento crónico.