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“Angola pode crescer muito se, em primeiro lugar, vós que tendes a autoridade no País acreditarem na multiformidade da sua riqueza”, Papa Leão XIV

Redacção
19/4/2026
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Foto:
DR

Pontífice apelou à construção de um projecto nacional baseado na justiça, no encontro e na solidariedade.

O Papa Leão XIV defendeu, neste sábado, 18,  que Angola deve apostar no diálogo, na justiça social e na valorização das suas riquezas humanas para construir um futuro mais equilibrado.

As declarações foram feitas durante a cerimónia de boas-vindas da sua visita oficial de quatro dias ao país, numa plateia que inclui o Presidente da República, João Lourenço, membros do Executivo, autoridades tradicionais e o corpo diplomático.  O líder da Igreja Católica, que cumpre a sua terceira etapa da viagem a África depois de Argélia e Camarões, manifestou “grande alegria” por visitar o País.

No início da intervenção em português, o Pontífice expressou solidariedade às vítimas das chuvas e inundações na província de Benguela e destacou a grande corrente de solidariedade dos angolanos a favor dos atingidos. 

Durante o seu discurso, Leão XIV criticou a lógica extractivista baseada na exploração de recursos naturais que acarreta sofrimento, mortes, catástrofes sociais e ambientais. “Em todas as partes do mundo, vemos como ela, no fundo, alimenta um modelo de desenvolvimento que discrimina e exclui, mas que ainda pretende impor-se como o único possível”, referiu. 

Dirigindo-se às lideranças políticas, o Papa sublinhou que o progresso da nação depende da capacidade de gerir conflitos, transformando-os em caminhos de renovação. “Angola pode crescer muito se, em primeiro lugar, vós que tendes a autoridade no País acreditarem na multiformidade da sua riqueza”, frisou. “Colocai o bem comum acima das partes, não confundindo nunca a vossa parte como o todo”, acrescentou.

Em contraponto, destacou o potencial humano de Angola e de África, classificando o continente como uma “reserva de alegria e esperança”, especialmente entre os jovens e os mais vulneráveis, que continuam a aspirar a melhores condições de vida.

Leão XIV reafirmou o compromisso da Igreja Católica em Angola, e assegurou que a instituição “deseja ser fermento na massa e promover o crescimento de um modelo justo de convivência, livre das escravidões impostas por elites com muito dinheiro e falsas alegrias”.

A encerrar, o Pontífice apelou à construção de um projecto nacional baseado na justiça, no encontro e na solidariedade. “Juntos, podeis fazer de Angola um projecto de esperança”, afirmou.

A visita do Papa Leão XIV a Angola decorre até terça-feira e inclui encontros institucionais, celebrações religiosas e visitas a projectos sociais, com passagens por Luanda, Icolo e Bengo e Lunda-Sul.