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Apenas 28% das famílias angolanas dizem ter capacidade para poupar na actual situação económica

Teresa Fukiady
17/6/2026
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De acordo com o INE, 62% dos inquiridos afirmaram que não pretendem comprar um automóvel nos próximos dois anos, ao passo que 40% declararam não ter planos para adquirir ou construir uma casa.

Apenas 28% das famílias angolanas consideram ser possível poupar dinheiro na actual situação económica do país, segundo dados do Indicador de Confiança dos Consumidores (ICC), referentes ao primeiro trimestre de 2026. 

Os resultados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam que 66% dos agregados familiares inquiridos afirmam continuar sem capacidade para reservar parte dos seus rendimentos para poupança, enquanto 6% disseram não saber ou preferiram não responder.  

A falta de capacidade financeira também se reflecte nas intenções de consumo de bens de elevado valor. O estudo revela que 62% dos inquiridos afirmaram, com certeza absoluta, que não pretendem adquirir um automóvel nos próximos dois anos.

A mesma tendência verifica-se no sector habitacional. Cerca de 40% dos entrevistados declararam não ter planos para adquirir ou construir uma habitação para si ou para algum membro da família durante os próximos dois anos. Em contrapartida, apenas 11% disseram ter a certeza de que irão avançar com a compra ou construção de uma casa nesse período.

De acordo com o INE, apesar destas limitações, os consumidores demonstram maior confiança quanto à evolução futura da economia nacional. O relatório indica que as expectativas sobre o desempenho da actividade económica nos próximos 12 meses continuam a melhorar, reforçando uma tendência positiva observada nos últimos trimestres.

Segundo o ICC, os inquiridos esperam igualmente uma redução dos preços dos bens e serviços ao longo dos próximos 12 meses. No mercado de trabalho, a percepção também é favorável, com as famílias a preverem uma diminuição do desemprego e um aumento das oportunidades de emprego.

No geral, no primeiro trimestre de 2026, o Indicador de Confiança dos Consumidores registou uma melhoria e manteve-se acima da média da série estatística apurada desde o primeiro trimestre de 2019. A percepção sobre a situação económica actual das famílias também apresentou evolução positiva, contrariando a ligeira estabilidade observada no trimestre anterior. Segundo o relatório, este é o quinto trimestre consecutivo em que os consumidores manifestam maior confiança relativamente à evolução futura das suas finanças.