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Banco Mundial anuncia 500 milhões de dólares para projecto de agro-negócio em Moçambique

Hermenegildo Langa
4/3/2026
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Foto:
DR

O projecto deverá dinamizar as cadeias de valor prioritárias, reforçar a produtividade, promover a formalização dos produtores e ampliar o acesso a financiamento.

O Banco Mundial anunciou, esta segunda-feira (02), apoio financeiro de 500 milhões de dólares para a operacionalização da plataforma AgriConnect que visa acelerar a transformação do sector agrário em Moçambique. O apoio financeiro do Banco Mundial deverá ao longo dos próximos dez anos, e num horizonte que se estende até 2036, reforçar o compromisso com a transformação estrutural do sector agrário em Moçambique.

O projecto AgriConnect deverá dinamizar as cadeias de valor prioritárias, reforçar a produtividade, promover a formalização dos produtores e ampliar o acesso ao financiamento, com enfoque nos pequenos agricultores, mulheres e jovens.

Falando em Maputo, no lançamento da iniciativa, o director do Banco Mundial para Moçambique e região, Fily Sissoko, explicou que o financiamento estará ancorado no Programa de Desenvolvimento das Cadeias de Valor do Agro-negócio em Moçambique (MozAgriBiz), actualmente em fase de preparação. “A iniciativa visa mobilizar recursos, alinhar o investimento público e atrair capital privado para cadeias prioritárias, com especial incidência nos pequenos produtores, que representam cerca de 98% do universo agrícola nacional.”

Na ocasião, Sissoko destacou igualmente que o sector agrário contribui com aproximadamente 26% para o Produto Interno Bruto (PIB) e emprega perto de 70% da população, posicionando-se como eixo central na geração de oportunidades económicas. Num contexto em que cerca de 500 mil jovens ingressam anualmente no mercado de trabalho, o responsável defendeu que o agro-negócio reúne condições para absorver parte significativa dessa força laboral, num cenário marcado pela escassez de emprego formal.

Na mesma ocasião, o ministro moçambicano da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Mito Albino, sublinhou que a plataforma deverá afirmar-se como um instrumento estratégico para dinamizar o agro-negócio, promover emprego digno — com enfoque particular nas mulheres e nos jovens — e consolidar a segurança alimentar e nutricional no País.

A AgriConnect surge, assim, como uma plataforma estruturante destinada a consolidar cadeias de valor com elevado potencial de rendimento, incluindo banana, açúcar, algodão e castanha de caju, ao mesmo tempo que procura dinamizar fileiras estratégicas emergentes como arroz, milho, feijão e tilápia, actualmente dependentes de importações.

“O objectivo final é construir uma base sustentável, sólida e resiliente, sustentada na produção de alimentos suficientes, nutritivos e acessíveis, no reforço do sistema nacional de sementes, na expansão da extensão rural com foco empresarial e no investimento em sistemas de irrigação sustentáveis e mecanismos de reserva de água”, salientou Roberto Albino, defendendo a criação de instrumentos financeiros ajustados à realidade dos produtores nacionais.

Empresários defendem mais investimento e inovação

A Confederação das Associações Económicas (CTA) de Moçambique destacou, no evento, a importância da iniciativa para o desenvolvimento do sector agrícola em Moçambique e a necessidade de criar-se um ambiente favorável ao investimento e à inovação para que o sector possa crescer e desenvolver-se.

Durante a sua intervenção, o vice-presidente da CTA, Amâncio Gune, afirmou que a iniciativa "AgriConnect - Moçambique" é um passo importante para o desenvolvimento do sector agrícola do país e está comprometida em apoiar o esforço nacional para transformar a agricultura em um motor de crescimento inclusivo e sustentável, lembrando que a agricultura no país enfrenta vários desafios, desde económicos até naturais.

“A agricultura é mais do que um sector económico. Ela é a base da nossa segurança alimentar, o sustento das nossas comunidades rurais e uma das maiores chaves para a industrialização e inclusão social do nosso país", afirmou Gune.

O vice-presidente da CTA enfatizou que o sector privado deve estar no centro da solução para transformar a agricultura moçambicana e destacou três compromissos essenciais para o sucesso da iniciativa “AgriConnect – Moçambique”: que o Pacto seja construído a partir da realidade do terreno, que sejam priorizadas reformas estruturais que libertem o potencial produtivo do país, e que todo o processo seja inclusivo e orientado para resultados claros e mensuráveis.