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Banco Mundial corta crescimento de Angola para 2,4% e Corredor do Lobito surge como tábua de salvação

Adnardo Barros
21/4/2026
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O documento, intitulado “Making Industrial Policy Work in Africa”, aponta que a economia angolana continua a pagar o preço de uma década de choques externos sucessivos.

O Banco Mundial reviu em baixa a previsão de crescimento de Angola para 2,4% em 2026 e estima que a expansão se mantenha abaixo de 3% em 2027, devido à evolução do sector petrolífero e ao impacto dos choques externos, incluindo o conflito no Médio Oriente.

A projecção consta do relatório Africa Economic Update, divulgado em Washington no âmbito dos Encontros da Primavera do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional. O documento, intitulado “Making Industrial Policy Work in Africa”, aponta que a economia angolana continua a pagar o preço de uma década de choques externos sucessivos, com o PIB per capita em 2026 a permanecer mais de 25% abaixo do nível registado em 2014.

Segundo o relatório, o abrandamento para 2,4% este ano reflecte a perda de dinamismo da recuperação pós-pandemia e a exposição do país à volatilidade dos mercados energéticos. Apesar de Angola ser um dos maiores exportadores de petróleo da região, os benefícios da recente subida do crude, que ultrapassou os 110 dólares por barril em março, devido ao conflito no Médio Oriente, são limitados pela elevada dependência de importações de produtos refinados, como gasolina e gasóleo.

O sector petrolífero angolano contraiu 1,21% em 2025, com a produção a ser afectada pelo declínio de campos maduros e paragens intermitentes. Novos projectos lançados em meados do ano atenuaram a quebra, mas não a reverteram. Para 2026, o Banco Mundial espera uma recuperação modesta, insuficiente para impulsionar o crescimento global do país.

Do lado positivo, o relatório destaca a melhoria das contas públicas. Angola conseguiu reduzir o rácio da dívida pública em percentagem do PIB de 59,3% em 2024 para 52,3% em 2025, uma das maiores descidas da região, graças à reestruturação da dívida e às fortes receitas de commodities. Contudo, o serviço da dívida externa continua a absorver uma parte significativa das receitas do Estado, limitando a margem de manobra orçamental.

O investimento per capita em Angola situa-se cerca de um quinto abaixo do nível de 2014, com o investimento público a contrair mais do que o privado. “A falta de aprofundamento do capital físico é agravada por um desenvolvimento insuficiente de competências e capacidades técnicas, limitando os ganhos de produtividade”, lê-se no documento.

A grande aposta para a transformação estrutural do país, segundo o Banco Mundial, é o Corredor do Lobito. A ferrovia de 1 344 quilómetros que liga o porto de Lobito à Zâmbia e à República Democrática do Congo é classificada como uma infraestrutura transformadora, capaz de catalisar a industrialização baseada em recursos, desde que seja gerida como uma plataforma económica de acesso aberto e não como um mero corredor de extracção mineral.

“Angola, a RDC e a Zâmbia assinaram o acordo de facilitação do transporte no Corredor do Lobito em Janeiro de 2024, e a Iniciativa das Baterias RDC-Zâmbia representa exactamente o tipo de estratégia industrial regional que pode funcionar”, conclui o relatório.

Para o conjunto da África subsaariana, o Banco Mundial projeta um crescimento de 4,1% em 2026, inalterado face a 2025, mas com riscos crescentes devido à escalada do conflito no Médio Oriente, às elevadas cargas da dívida e às profundas fragilidades estruturais.