O Banco Mundial considera que Moçambique precisa de uma transformação estrutural da economia para converter o crescimento em prosperidade, defendendo que a nova agenda de desenvolvimento deve estar assente em emprego, industrialização e capital humano.
A posição foi defendida pelo director da Divisão do Banco Mundial para Moçambique, Fily Sissoko, durante a Conferência Internacional sobre Desenvolvimento Inclusivo e Sustentável, realizada em Maputo, onde apresentou uma reflexão estratégica sobre os desafios e oportunidades que deverão orientar a agenda nacional de desenvolvimento país até 2050.
De acordo Fily Sissoko, o percurso económico de Moçambique demonstra uma notável capacidade de resiliência. No entanto, esse percurso foi sucessivamente condicionado por crises financeiras, ciclones, pandemia, terrorismo em Cabo Delgado, instabilidade política e, mais recentemente, pelas cheias de 2026.
“Após o conflito armado, o país registou durante mais de duas décadas um dos ritmos de crescimento mais elevados de África, próximo de 8% ao ano, impulsionado pela reconstrução, investimento externo e apoio dos parceiros de desenvolvimento. Contudo, este crescimento deixou de ser um indicador suficiente de sucesso, visto que a verdadeira medida do desenvolvimento reside na capacidade de criar oportunidades para as famílias, agricultores, jovens, mulheres e trabalhadores em todas as regiões do país”, explicou o responsável.
Para o Banco Mundial, apesar de Moçambique dispor das maiores reservas de gás natural do mundo e importantes recursos minerais, “estes activos apenas produzirão desenvolvimento sustentável se forem convertidos em investimento produtivo”. Neste sentido, o Sissoko defende que as futuras receitas do gás devem financiar infra-estruturas, educação, saúde, fortalecimento institucional e desenvolvimento do sector privado, evitando que a economia permaneça excessivamente dependente da exportação de matérias-primas.
No mesmo discurso, o Banco Mundial instou ao Executivo moçambicano a abandonar a agricultura de baixa produtividade, consequentemente vulnerável aos desastres climáticos, sugerindo a aposta numa “agricultura comercial, agro-processamento, indústria transformadora, logística, turismo e serviços modernos, sectores capazes de gerar maior valor acrescentado e emprego sustentável”.
Na ocasião, o Banco Mundial, lembrou que cerca de 416 mil jovens entram todos os anos no mercado de trabalho moçambicano, “mas apenas aproximadamente 30 mil conseguem aceder ao emprego formal”. “Este desfasamento demonstra que o verdadeiro desafio não consiste apenas em fazer crescer a economia, mas em criar empregos produtivos numa escala compatível com o crescimento demográfico”, destacou, enfatizando que a competitividade futura dependerá mais do conhecimento e da produtividade da população do que dos próprios recursos naturais.
Na mesma ocasião, o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, apelou sobre a necessidade de melhorar o ambiente empresarial, digitalizar os serviços públicos, combater a corrupção e reforçar a eficiência das instituições estatais, como factores cruciais para acelerar o desenvolvimento.
Chapo explicou que a tarefa fundamental do actual ciclo de desenvolvimento consiste em reduzir o fosso entre uma economia extrativa moderna, sustentada por grandes investimentos, e a economia interna, ainda de baixa produtividade, onde se encontra a maioria dos cidadãos.
“O desafio da nossa geração é transformar a riqueza natural em riqueza nacional e o crescimento económico em desenvolvimento inclusivo e sustentável, para que as oportunidades se traduzam em prosperidade para todos os moçambicanos”, assinalou.














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