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Moçambique inicia construção do centro de formação em oil & gas avaliado em 1,8 milhões USD

Hermenegildo Langa
6/7/2026
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Foto:
DR

A infra-estrutura surge numa iniciativa que visa reduzir gradualmente a dependência de centros externos para a formação sobre operações de oil & gas.

O Governo moçambicano, através da estatal Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) lançou na última sexta-feira, na cidade de Pemba, Cabo Delgado (norte de Moçambique), em parceria com a Concord Safety, a primeira pedra para a construção de um centro de formação destinado à preparação de profissionais para operações offshore (no mar), onshore (em terra) e de segurança associadas à indústria de petróleo e gás.

A infra-estrutura avaliada em mais de 1,8 milhões de dólares surge numa iniciativa que visa reduzir gradualmente a dependência de centros externos para a formação sobre operações de  oil & gas, visto que a entidade surge em resposta aos desafios decorrentes da expansão dos grandes projectos de Gás Natural Liquefeito (GNL) em Moçambique, que exigem disponibilidade de mão-de-obra nacional qualificada e certificada, de acordo com padrões internacionais, devendo conferir competências técnicas especializadas e certificação internacional aos formandos.

“Queremos reforçar a capacidade nacional de formação especializada, reduzir gradualmente a dependência de centros de formação externos e contribuir para a preparação de profissionais nacionais alinhados às exigências técnicas e operacionais da indústria offshore”, referiu o presidente do Conselho de Administração da ENH, Rudêncio Morais.

A instituição designada “Marine & Safety Center” deverá prover aos jovens moçambicanos uma formação prática e especializada em segurança industrial, marítima e offshore.

“A construção do Marine & Safety Center é uma resposta concreta à necessidade da crescente mão-de-obra dos grandes projectos de LNG (Gás Natural Liquefeito) em curso no norte de Moçambique”, frisou Rudêncio Morais, destacando que a infra-estrutura revela “um claro compromisso com o desenvolvimento do capital humano nacional para fazer parte dos projectos de petróleo e gás”.

Desenvolvimento do capital humano

O lançamento da primeira pedra para a construção do centro “Marine & Safety” foi antecedido da assinatura do acordo de accionistas entre a ENH e a Concord Sefaty, momento testemunhado pelo ministro moçambicano dos Recursos Minerais e Energia, Estêvão Pale; e o governador de Cabo Delgado, Valige Tauabo.

Na ocasião, o ministro Estêvão Pale afirmou que o Marine & Safety Center representa “mais um passo firme do sector” que dirige na dinamização da indústria de hidrocarbonetos, uma indústria que se reafirma na sua missão de transformar os recursos do país em prosperidade.

“O lançamento da primeira pedra deste centro representa o início da construção de uma infra-estrutura que vai transformar o panorama da formação em segurança marítima industrial no nosso país, na região e no continente africano, no geral, e posiciona Cabo Delgado como um polo de prestação de serviços de padrão internacional”, garantiu o governante, apelando no entanto, à ENH e à Concord Safety a trabalharem arduamente para a efectivação desta unidade de formação de técnicos locais em cursos como segurança marítima, combate a incêndios em alto mar, gestão de processos de segurança, primeiros socorros, resposta à emergência, entre outros, com a duração de até quatro meses.

Por sua vez, o director-geral da Concord Safety, Nicolas Daniel, prometeu trabalhar com a ENH para o alcance dos objectivos do Marine & Safety Center, rumo a um crescimento económico sustentável de Moçambique.

Para as autoridades de Cabo Delgado, a iniciativa conjunta entre a ENH e Concord Safety significa mais oportunidades de formação, mais emprego, mais valorização da mão-de-obra local e um reforço efectivo do conteúdo local, princípios que o Governo de Moçambique tem vindo a promover de forma consistente.

Recorde-se que Moçambique tem três megaprojectos de desenvolvimento aprovados para exploração das reservas de GNL da bacia do Rovuma, classificadas entre as maiores do mundo, ao largo da costa de Cabo Delgado, incluindo este da TotalEnergies, de 13 milhões de toneladas por ano (mtpa) e outro da ExxonMobil (18 mtpa), de 30 mil milhões de dólares que aguarda decisão final de investimento, ambos na península de Afungi.

A estes projectos soma-se o da italiana Eni, que já produz desde 2022, cerca de sete mtpa, a partir da plataforma flutuante Coral Sul, que será duplicada a partir de 2028 com a segunda plataforma Coral Norte, num investimento de 7,2 mil milhões de dólares e previsão de uma terceira unidade.