A mobilidade ainda é uma área (relativamente) nova na estratégia de negócio das concessionárias de automóveis no País, defendeu o consultor estratégico Jorge Marra, em declarações recentes à Economia & Mercado.
Mas, continuou o especialista, começa a alterar a própria leitura económica do negócio automóvel, face à expansão das marcas chinesas que aumentou a oferta e trouxe gamas mais competitivas, tendo criado condições para explorar segmentos que vão além da venda tradicional.
De acordo ainda com Jorge Marra, que se baseou nos dados da ACETRO, quase 80% dos veículos vendidos no mercado angolano em 2025 (num total de 6 mil 157) foram ligeiros. O crescimento esteve associado à procura de veículos utilizados nos serviços de táxi por aplicativo, “além de uma disponibilidade mais regular de divisas”.
Parafraseando o especialista em causa, naquele ano a ACETRO registou um crescimento de 37,7% nas vendas de viaturas, em relação a 2024. “O mercado começa, por isso, a produzir outro tipo de cliente e de parceiro.
Como exemplo, falou de uma parceria que permitiu colocar 200 viaturas no ecossistema de táxi por aplicativo. Os automóveis foram adquiridos por um parceiro de frota, sendo que a plataforma participou na estruturação financeira, operacional e gestão.
Assim, na visão do interlocutor, algumas concessionárias começam a ter razões para desenvolver unidades autónomas de Fleet & Mobility, em vez de tratarem estes clientes simplesmente como mais uma venda B2B.
Para Jorge Marra, a lógica financeira é relevante. 50 viaturas comerciais afectas a contratos de Fleet & Mobility com PVP entre 500 a 1000 USD mensais por unidade representam 25 mil a 50 mil USD de receita recorrente por mês, ou 300 mil a 600 mil USD por ano antes dos custos operacionais.
Quando o contrato inclui manutenção, assistência técnica, seguro e financiamento, explicou, a concessionária deixa de monetizar o activo apenas no momento da venda e passa a captar valor ao longo do ciclo de vida. No final, mantém-se o valor residual, que pode alimentar o negócio de usados e dar origem a uma nova relação de pós-venda.
A estratégia acima, como se pode depreender das declarações de Marra, é interessante para as marcas chinesas, pois a disponibilidade de viaturas comerciais a preços competitivos permite estruturar soluções de distribuição, transporte escolar, telecomunicações, PME,s e outros serviços.
Mas, esclareceu, a transformação exige que se perceba o custo do capital. “Considere 100 viaturas comerciais a 15 000 USD CIF médio: são 1,5 milhões USD investidos numa encomenda de 90 a 120 dias”, em que se prevê a “produção e frete, acrescido de 60 a 90 dias até à venda. O ciclo financeiro pode facilmente aproximar-se de cinco a seis meses”.














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