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Emirados Árabes Unidos viram costas à OPEP e cartel sofre o quinto abandono

Adnardo Barros
28/4/2026
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Foto:
DR

O país é o quinto a deixar o cartel, depois de Angola, Qatar, Equador e Indonésia.

Os Emirados Árabes Unidos anunciaram, nesta terça-feira, a saída da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e da OPEP+, num movimento que representa um duro revés para os maiores produtores mundiais de crude. 

A decisão surge na sequência da guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irão, desencadeada no final de Fevereiro, que provocou o que a Agência Internacional de Energia (AIE) classifica como “a maior crise energética de sempre”.

Os produtores da região do Golfo Pérsico têm encontrado dificuldades para escoar as exportações através do Estreito de Ormuz, uma via navegável crucial entre o Irão e Omã. Por ali passa, em condições normais, 20% da produção global de petróleo bruto e gás natural liquefeito (GNL), mas as ameaças e os ataques iranianos contra navios tornaram a passagem insegura.

A desistência dos Emirados Árabes Unidos da OPEP e da OPEP+ é interpretada como uma victória para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O chefe da Casa Branca já tinha acusado a organização de “roubar o resto do mundo” ao inflacionar os preços do crude. Trump associou também o apoio militar norte-americano aos países do Golfo aos preços elevados do petróleo, afirmando que, enquanto os Estados Unidos defendem os membros da OPEP, estes exploram essa protecção impondo preços altos.

A decisão dos Emirados surge depois de o país, um dos mais próximos aliados de Washington, ter criticado os outros Estados árabes por não fazerem o suficiente para os proteger dos sucessivos ataques iranianos.

Na segunda-feira, Anwar Gargash, conselheiro diplomático do presidente dos Emirados Árabes Unidos, deixou críticas à resposta árabe e do Golfo durante uma sessão do Fórum dos Influenciadores do Golfo. "Os países do Conselho de Cooperação do Golfo apoiaram-se mutuamente em termos logísticos, mas, política e militarmente, penso que a sua posição tem sido a mais fraca de sempre", afirmou, citado pela agência Reuters.

Com esta saída, os Emirados tornam-se o quinto país a abandonar o cartel. Antes deles, saíram o Catar (2019), o Equador (2020), a Indonésia (2009, com suspensão definitiva em 2016) e Angola (2024). A partir de 1967, os Emirados Árabes Unidos integravam a OPEP como país membro. Agora, a organização, que tem procurado apresentar uma frente unida face ao alargamento do conflito no Médio Oriente, apesar de desentendimentos internos em questões como a geopolítica e as quotas de produção, poderá ver-se ainda mais enfraquecida.