O Estado emitiu títulos da dívida pública no valor de (pelo menos) 1,7 bilião de Kwanzas nos últimos oito meses de 2024, representando a diminuição de 15,4% em relação ao mesmo período de 2023, segundo cálculo da E&M com base na informação divulgada pelo Banco Nacional de Angola (BNA).
Contas feitas, do valor de títulos emitidos no período em análise, os bilhetes do tesouro (BT) representaram, aproximadamente, 52% (pelo menos 869 mil milhões Kz), enquanto as obrigações do tesouro (OT) quase 48% do total.
O maior volume de emissões de BT´s, de acordo com os dados obtidos do Banco Nacional de Angola (BNA), ocorreu em Março de 2024. No terceiro mês do ano o Estado emitiu BT´s no valor de pelo menos 461,2 mil milhões Kz.
Segundo ainda os dados estatístico-contabilísticos divulgados pelo banco central, a menor emissão aconteceu em Junho (3 mil milhões Kz). Em Agosto o recurso àquele instrumento financeiro rondou os quase 52,8 mil milhões Kz.
Coincidentemente, como ilustram os dados do BNA, também foi em Março que se registou a maior emissão de OT´s (pelo menos 359,2 mil milhões Kz) nos últimos oito meses do presente exercício económico (Janeiro - Agosto).
Janeiro foi o mês em que o Estado emitiu menos OT´s (17,8 mil milhões Kz) nos últimos oito meses de 2024. Agosto, também de acordo com o banco central, fechou com emissão avaliada em pelo menos 43,9 mil milhões Kz.
Visão dos especialistas
Ao contrário dos anos anteriores, nos últimos oito meses o Estado emitiu mais BT´s em relação a OT´s. Esta tendência, sugerem especialistas, poderá observar-se até ao final do presente exercício económico pela necessidade de financiamento no curto prazo e a conjuntura macro-económica do País.
Especialistas consideram que o aumento no aumento da emissão de BT´s pode indicar maior necessidade de recursos para cobrir despesas imediatas, possivelmente, por causa de um déficit de caixa ou de liquidez temporária.
O Estado, sugerem, também pode optar pelo instrumento da dívida de curto prazo (BT) se as taxas de juros das OT´s estiverem elevadas, o que aumentaria o custo da dívida (condições de mercado desfavoráveis).
No caso de incerteza em relação ao crescimento económico e à política monetária, explicam analistas, o Estado pode optar por se financiar a curto prazo, evitando comprometer-se com taxas de juros altas por longo tempo.
Ao priorizar a emissão de BT´s, aclaram, o Estado pode estar a tentar gerenciar a dívida de forma flexível, a fim de evitar acúmulo excessivo de obrigações de longo prazo que podem ser mais difíceis de refinanciar em momentos de crise ou com taxas mais altas (gestão prudente da dívida).














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