O ensino superior no País funcionou no ano lectivo 2022/23 com um rácio de apenas um professor doutorado para cada 240 estudantes universitários, calculou a E&M com base nos dados do Anuário Estatístico do Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação (MESCTI).
No total, aquele período lectivo registou mais de 300 mil alunos matriculados e 29 mil graduados para um universo de 11 464 docentes. Contudo, o sistema contou com apenas 1 261 professores com o grau máximo académico, o equivalente a escassos 11% do corpo docente nacional.
A forte concentração do corpo docente situou-se nos níveis de Licenciatura e Mestrado, que juntos somaram 10 203 professores, o equivalente a 89% do total nacional daquele período. Esta fragilidade na qualificação académica expõe um estrangulamento crítico na capacidade de investigação científica e na consolidação de programas locais de pós-graduação.
O sistema académico continua a funcionar com um défice estrutural de investigadores qualificados e avança a um ritmo insuficiente para sustentar as exigências de inovação e soberania científica do País. O desequilíbrio limita a produção de conhecimento endógeno e impede a retenção de saberes estratégicos.
O diagnóstico ganha contornos mais críticos no rácio entre investigadores e estudantes. Esta escassez gera uma sobrecarga pedagógica que inviabiliza a orientação personalizada de teses, paralisa a produção de artigos científicos em revistas internacionais indexadas e reduz o registo de patentes nacionais a níveis residuais.
Na pós-graduação o cenário é idêntico. Sem uma massa crítica de doutores a criação de novos mestrados e doutoramentos locais fica paralisada, facto que perpetua a dependência de bolsas de estudo no exterior e expõe o Estado a elevados custos em divisas.
Em sentido inverso à necessidade de qualificação, o sector privado, responsável por 61,7% dos diplomados no referido ano, operou com um rácio de doutorados ainda mais baixo e recorreu a mestres e licenciados para conter custos de operação. O resultado dessa factura académica traduz-se na perda de competitividade das universidades angolanas nos ranking regionais e na dificuldade de oferecer soluções científicas locais para os desafios industriais do País.















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