De uma cidade tradicional no centro da China para a dinâmica dos centros comerciais em Angola, Lara Chai construiu um percurso improvável que cruza línguas, culturas e negócios. Formada em literatura portuguesa, a gestora encontrou em Angola não apenas um destino profissional, mas um território onde pretende continuar a crescer e a deixar marca.
Nasceu na China, província de Henan, mais precisamente na cidade de Anyang, um lugar conhecido por guardar a origem dos caracteres chineses, os símbolos que formam a escrita da língua. Cresceu numa família pequena, com apenas um irmão, nove anos mais velho do que ela. A sua própria existência, conta, foi uma espécie de desafio às regras do tempo em que nasceu.
À Economia & Mercado (E&M), explica que, naquela geração, a política chinesa permitia apenas um filho por família. Ainda assim, os seus pais decidiram ter mais um. “Eu sou a segunda criança de casa. Os meus pais pagaram multa por mim”, diz com naturalidade, referindo-se à penalização aplicada na altura aos que tivessem mais filhos do que o permitido.
O percurso académico levou-a por um caminho inesperado. Não cresceu a sonhar estudar literatura portuguesa, mas acabou por escolher a língua na universidade, na própria China. A decisão foi prática e estratégica. O português era uma língua com procura e, ao mesmo tempo, com menos concorrência entre estudantes.
Foi na universidade que também escolheu o nome Lara, usado para facilitar a comunicação entre colegas e amigos. O contacto com a língua abriu-lhe portas para o mundo lusófono e, em 2017, participou num intercâmbio académico de seis meses no Brasil, experiência que aprofundou a relação com o idioma e culturas diferentes.

Dois anos depois, em 2019, Angola entrou definitivamente no seu caminho
Chegou ao País para trabalhar e, no início, dedicou-se ao comércio grossista, numa função muito diferente daquela que viria a desempenhar mais tarde. A viragem aconteceu quando começou a trabalhar na gestão da Cidade da China, um espaço comercial que exigia competências completamente novas.
Se antes o trabalho era vender produtos em grande escala, a gestão de um centro comercial trouxe responsabilidades diferentes: comunicação constante, resolução de problemas e resposta às necessidades dos comerciantes.
“Trabalhos diferentes trouxeram também dificuldades e desafios diferentes”, explica. Mas foi precisamente essa mudança que lhe permitiu adquirir novas experiências e alcançar outras conquistas profissionais.
Depois da experiência na Cidade da China, Lara Chai passou também pelo Kigolo Shopping. O desempenho nesses dois projectos abriu-lhe caminho para uma nova etapa dentro do grupo African Sunrise, onde actualmente participa na gestão de um novo projecto comercial.
A ambição, diz, é replicar o sucesso dos centros comerciais onde já trabalhou. Tanto a Cidade da China como o Kigolo Shopping tornaram-se, segundo explica, espaços de referência em termos de movimento e actividade comercial.
Mais do que uma experiência profissional temporária, Angola transformou-se num lugar onde Lara quer continuar a construir o seu futuro. Vive no País há mais de seis anos, conhece o mercado, entende o contexto local e construiu uma rede sólida de contactos.
Ao mesmo tempo, continua a investir na língua portuguesa, acreditando que comunicar melhor é também a chave para resolver mais problemas, fortalecer relações e alcançar novos resultados.
O próximo passo no seu percurso é crescer dentro do próprio grupo empresarial. Actualmente trabalha na gestão de projectos, mas pretende assumir responsabilidades ainda maiores. Para além da administração dos projectos existentes, quer também contribuir para a expansão do grupo, ajudando a identificar novas oportunidades de negócio.
Entre a tradição milenar de Henan e o dinamismo comercial de Luanda, Lara Chai segue a construir uma trajectória marcada pela adaptação, pela persistência e pela capacidade de transformar desafios em oportunidades.

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