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FAO alerta para “abuso” na prática de enxerto que ignora questões genéticas na agricultura

Victória Maviluka
12/6/2026
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Foto:
DR

Responsável pela Área de Cadeias de Valor e Agronegócio da FAO destaca o potencial dos solos angolanos, mas questiona a qualidade do abacate que é comercializado em mercados formais.

Há uma onda de recursos a enxertos na produção agrícola em Angola que está a desvalorizar factores genéticos de algumas culturas, alertou, nesta quinta-feira, 11, em Luanda, o responsável pela Área de Cadeias de Valor e Agronegócio da FAO, Clemente Oliveira Paulo.

Painelista na mesa-redonda sobre Produção e Base Técnica da conferência AAPAbacate, o representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura disse que existe, particularmente no ramo da produção de abacate em Angola, “um abuso” no uso de enxerto.

“Todo o mundo quer fazer enxertia sem levar em consideração as questões genéticas, tanto do próprio porta-enxerto… e qualquer planta de abacate que nasce pode servir de porta-enxerto, depois temos aqui alguns problemas”, avisou.

Clemente Oliveira Paulo informou que, a nível da FAO, já foram identificados alguns lugares, algumas fazendas com estes problemas. Referiu que o País possui poucos técnicos qualificados que conhecem o abacate, observando que as variedades que estão no mercado são, maioritariamente, do pequeno agricultor. 

Disse que a variante hass, com valor comercial de exportação, já começa a existir em Angola, mas lamentou que a qualidade do produto tem deixado muito a desejar: “Não sei se já tiveram a experiência, a minha pessoal, entre 20% e 40% do fruto está estragado”. 

O responsável pela Área de Cadeias de Valor e Agronegócio da FAO afirmou que, contrariamente ao abacate nos mercados informais, que tem uma série de problemas, a expectativa era que, nos supermercados formais, a variedade do abacate hass se apresentasse com melhor qualidade. 

“Não foi a experiência, principalmente deste ano, minha pessoal… [o abacate hass] está com muitos problemas. Sou do Huambo e o abacate faz parte da minha alimentação do dia-a-dia. Então, temos aqui alguns desafios a montante”, declarou.

Clemente Oliveira Paulo informou que estudos feitos pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura apontam para existência de “bons e extensos solos” e “janela muito boa” para a produção de abacate em Angola, enfatizando as províncias do Huambo, Bié, Huíla, Benguela e Cuanza-Sul.