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Foi-se Luísa Diogo, a moçambicana que abraçou a nação em todos momentos

Hermenegildo Langa
20/1/2026
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Foto:
DR

Luísa Diogo marcou a história política e económica do país, ao destacar-se pelo seu contributo decisivo para a estabilidade macroeconómica nacional, num período exigente.

Calou-se, na última sexta-feira, aos 67 anos, Luísa Diogo, a primeira mulher moçambicana a ocupar o cargo de Primeira-Ministra (PM). A moçambicana que dedicou quase boa parte da sua vida entre a política, economia e promoção de igualdade de género, perdeu a vida vítima de doença, em Lisboa, no Centro Clínico Champalimaud, ligado à Fundação Champalimaud, onde, habitualmente, fazia tratamentos médicos.

Quadro sénior da Frelimo, partido no poder em Moçambique, Luísa Diogo marcou de forma indelével a história política e económica do país, ao destacar-se pelo seu contributo decisivo para a estabilidade macroeconómica nacional, num período particularmente exigente para a consolidação financeira e institucional do Estado moçambicano.

Natural da província de Tete, centro de Moçambique, Luísa Dias Diogo parte deixando um legado que transcende gerações e âmbito político quanto económico, com disciplina e patriotismo raramente igualado.

Economista formada pela Universidade Eduardo Mondlane (UEM), Luísa Diogo foi também ministra do Plano e Finanças entre 1999 e 2005. A partir de Fevereiro de 2004, com a exoneração do então PM, Pascoal Mocumbi, Luísa Diogo acumulou aquela pasta com a de Primeira-Ministra durante o Governo de Joaquim Chissano e mais tarde no Executivo de Armando Guebuza, tornando-se numa das 100 mulheres a ocupar esse cargo no mundo.

Em Julho de 2024, Luísa Diogo encerrou um ciclo de 13 anos de liderança do Absa Bank Moçambique, deixando a presidência do Conselho de Administração (PCA). No entanto, manteve-se como administradora não-executiva do Grupo Absa na África do Sul, cargo que também exercia desde Agosto de 2023.

Em 2018, foi nomeada presidente do Parque Industrial de Beluluane, onde se localiza a maior fábrica de fundição de alumínio de Moçambique, a Mozal.

Um legado inigualável

Para o Governo moçambicano, Luísa Diogo foi uma mulher de visão e de princípios firmes, que exerceu com elevado sentido de responsabilidade os cargos de ministra das Finanças e de Primeira-Ministra, contribuindo de forma decisiva para a consolidação económica do país e para o fortalecimento do papel da mulher na governação.

Em reacção à morte de Luísa Diogo, o Presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo, descreveu a moçambicana como “filha ilustre”, cuja dedicação à causa pública e ao desenvolvimento do país ficará para sempre na memória de todos.

“O seu legado ultrapassa as fronteiras de Moçambique. Foi reconhecida como uma das figuras femininas mais influentes do mundo pela revista Forbes e incluída entre as 100 personalidades mais influentes pela Times Magazine, fruto do seu papel decisivo na economia, na liderança e na defesa da igualdade de género, actuando também em importantes painéis da Organização das Nações Unidas”, lê-se na nota de pesar de Daniel Chapo.

Por sua vez, o antigo estadista moçambicano, Joaquim Chissano, descreveu através de uma mensagem, o percurso profissional de Luísa Diogo, classificando-a como uma “mulher de elevada estatura moral, intelectual e cívica, cuja trajectória se confunde com etapas determinantes da edificação do Estado moçambicano no período pós- independência”.

“Luísa Diogo foi mais do que uma alta dirigente governamental. Foi uma verdadeira mulher de Estado, inteiramente dedicada à causa pública, cuja integridade, discrição e firmeza de carácter deixa um legado duradouro para Moçambique. O seu exemplo constitui uma referência para as gerações actuais e futuras, em particular para as mulheres chamadas a assumir responsabilidades de liderança na vida pública”, destaca.

Para o Absa Bank Moçambique, Luísa Diogo foi uma “líder visionária” cuja integridade, coragem e compromisso com a excelência marcaram profundamente a instituição e o sector financeiro moçambicano. “A sua liderança inspirou equipas, orientou transformações importantes e elevou os padrões de governação, deixando um legado duradouro que continuará a orientar o nosso trabalho e inspirar as futuras gerações de líderes”, assinala.

A urna de Luísa Diogo chega a Moçambique esta quarta-feira (21), segundo informação avançada pela família. O funeral deverá acontecer na quinta-feira, em Maputo, antecedido de uma cerimónia religiosa com o corpo presente.