As tensões políticas que colocam em margens opostas os aliados Estados Unidos-Israel ao Irão, com registos de ataques militares e retaliações, reservam uma abordagem importante no panorama desportivo. O quadro levanta sérias dúvidas sobre a presença do Irão nos EUA para disputar o Mundial de futebol, já em Junho próximo. Anfitrião (com o Canadá e o México), Donald Trump não vê, desde já, obstáculos à presença da selecção iraniana no solo do seu país.
“Realmente, não me importa [I really don’t care]” - afirmou, recentemente, Trump, em entrevista ao jornal ‘Politico’, durante a qual não deixou, contudo, de fazer uma abordagem ao cenário geopolítico por ele mesmo criado - decidiu atacar cinco territórios desde que regressou, em Janeiro de 2025, à Casa Branca.
“Penso que o Irão é um país duramente derrotado. Estão a funcionar nas reservas”, atirou o presidente norte-americano, referindo-se às baixas causadas ao Irão após ataques iniciados a 28 de Fevereiro deste ano, que resultaram na morte do líder supremo daquele país do Médio Oriente, Ali Khamenei.
Se do lado de Donald Trump a presença do Irão no Mundial 2026 – vai competir em Los Angeles e em Seattle, nos Estados Unidos, ao lado das selecções da Bélgica, Egipto e Nova Zelândia, no Grupo G –, nas ‘hostes’ do Irão, as cogitações de possível boicote ao evento começam a ganhar força.
“Depois destes ataques, é difícil olhar com esperança para o Mundial”, declarou, no último domingo, 01, Mehdi Taj, presidente da Federação Futebol do Irão, país que respondeu aos ataques da aliança EUA-Israel com actos de retaliação contra várias nações do Médio Oriente, incluindo o Catar, igualmente apurado para a maior montra do futebol a nível do planeta.
Depois destes ataques, é difícil olhar com esperança para o Mundial
As afirmações do líder do futebol iraniano ao ‘Varzesh3’, um site do seu país, está a dar azo a acesos debates e cogitações nos bastidores do futebol mundial sobre o que deverá ser o impacto de uma possível ausência do torneio do país que foi o primeiro dentre 48 nações a qualificar-se ao Campeonato do Mundo.
Para já, as regras definidas para esta edição do torneio, embora vagas, observa o jornal Expresso, reservam à FIFA o poder de “decidir em exclusivo” e de tomar “qualquer acção necessária” caso um país desista de jogar a competição. E mais: pode decidir “unilateralmente substituir” qualquer selecção.
Realce-se que os dirigentes iranianos foram os únicos ausentes do encontro de três dias realizado, recentemente, em Atlanta, nos Estados Unidos, pelo órgão reitor do futebol mundial com delegações de todas as selecções já qualificadas para o Mundial que se vai disputar de 11 de Junho a 16 de Julho.
Espero que consigamos contribuir para unir um pouco o mundo. Acho que precisa mesmo
Entretanto, desde o ano passado que a Administração Trump lista o Irão como um de 42 países a cujos cidadãos não atribui vistos de entrada no país, apesar de as normas preverem excepções, como liberalização para atletas e elementos de staffs técnicos de selecções nacionais.
Diante destes cenários todos, da FIFA, uma declaração de Gianni Infantino – galardoou Trump, em Dezembro de 2025, com a distinção de Paz, aquando do sorteio da fase de grupos do Mundial 2026 – ganhou repercussão, ao perspectivar que o torneio se transforme num momento de paz.
“Espero que consigamos contribuir para unir um pouco o mundo. Acho que precisa mesmo”, ansiou o ‘patrão’ da Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA), em declarações ao britânico ‘Sky Sports’.

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