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Pressões fiscais levam a queda da confiança empresarial moçambicana em Fevereiro

Hermenegildo Langa
6/3/2026
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Foto:
DR

À semelhança da confiança empresarial, durante o período em referência, as novas encomendas assim como as contratações também registaram uma desaceleração.

A confiança empresarial em Moçambique registou, em Fevereiro, uma queda, atingindo o mínimo de nove anos, em resultado das preocupações com condições climáticas adversas, pressões fiscais e escassez de moeda externa.

A informação consta no índice Purchasing Managers’ Index (PMI) do Standard Bank Moçambique divulgado esta semana, que destaca uma ligeira melhoria nas condições empresariais para 50,2 pontos em Fevereiro, apesar da desaceleração das expectativas das empresas.

“A procura continua a crescer, mas a um ritmo mais moderado, devido a problemas de pagamento e escassez de meios de produção. A criação de emprego abrandou, assim como o crescimento das compras de meios de produção. As pressões inflacionárias diminuíram, levando as empresas a aumentar os preços de venda de forma mais moderada”, refere o documento consultado pela Revista Economia & Mercado (E&M), frisando que o índice que mede a actividade esperada nos próximos 12 meses caiu para o valor mais baixo desde Novembro de 2016, evidenciando um aumento da cautela entre as empresas moçambicanas.

À semelhança da confiança empresarial, durante o período em referência, as novas encomendas assim como as contratações também registaram uma desaceleração, contrastando a actividade do sector privado moçambicano que se manteve em território de expansão.

Não obstante, apesar da expansão, os dados do inquérito revelam uma dinâmica de crescimento mais moderada, marcada por um abrandamento nas vendas, menor ritmo de criação de emprego e expectativas empresariais mais cautelosas, lembrando que “o inquérito PMI do Standard Bank Moçambique subiu para 50,2 pontos, acima dos 50,0 registados em Janeiro, indicando uma ligeira melhoria nas condições empresariais no início do ano”.

No mesmo sentido, o aumento das carteiras de encomendas prolongou-se pelo quinto mês consecutivo, enquanto a taxa de crescimento caiu para o nível mais baixo deste ciclo de expansão. “Os factores como problemas de pagamento e escassez de meios de produção têm limitado o ritmo de crescimento da actividade”, lê-se.

Comentando os resultados do inquérito, o economista-chefe do Standard Bank Moçambique, Fáusio Mussá, um dos sinais mais relevantes do inquérito prende-se com a deterioração das expectativas empresariais. De acordo com o economista, “os factores como condições climáticas adversas, pressões fiscais e escassez de moeda externa continuam a pesar sobre o sentimento empresarial”.

“Apesar da deterioração do sentimento empresarial, existem factores que poderão melhorar o ambiente económico ao longo do ano. Entre eles destacam-se o avanço das negociações com o Fundo Monetário Internacional para um novo programa de financiamento e a progressão dos projectos de gás natural liquefeito”, afirma Fáusio Mussá, para depois explicar que “estes desenvolvimentos poderão contribuir para uma melhoria do sentimento empresarial na segunda metade de 2026”.