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Mais 10 milhões de angolanos perderam capacidade financeira para custear alimentação saudável desde 2017

Teresa Fukiady
23/7/2026
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DR

Entre 2017 e 2025, o número de pessoas sem rendimento suficiente para suportar o custo de uma alimentação adequada aumentou 56%, passando de 18,2 milhões para 28,4 milhões.

Mais de 10 milhões de angolanos perderam capacidade financeira para garantir uma alimentação saudável nos últimos oito anos. Entre 2017 e 2025, o número de pessoas sem rendimento suficiente para suportar o custo de uma alimentação adequada aumentou 56%, passando de 18,2 milhões para 28,4 milhões, segundo o relatório O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo (SOFI) 2026, divulgado na terça-feira, 21, pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).

Segundo o documento, consultado pela Revista Economia & Mercado, no País, no ano passado, 72,9% da população, o equivalente a 28,4 milhões de pessoas, não conseguiu suportar o custo de uma alimentação adequada. O que significa que quase três em cada quatro pessoas não tiveram condições para se alimentar de forma saudável devido a dificuldades financeiras.

De acordo com o relatório, o número de pessoas sem condições para custear uma alimentação saudável tem vindo a crescer nos últimos oito anos. Em 2017, a cifra era de 18,2 milhões de pessoas (60,1% da população). Em 2018, o número subiu para 20,3 milhões e para 21,6 milhões em 2019. Em 2020, estavam contabilizados no País 23,3 milhões de pessoas que não se alimentavam de forma saudável devido à falta de recursos financeiros, número que disparou para 24,5 milhões em 2021. Em 2022, a quantidade de angolanos que não conseguia suportar uma alimentação saudável era de 25,4 milhões, tendo aumentado para 26,4 milhões em 2023. Em 2024, a cifra atingiu 27,4 milhões de angolanos e  28,4 milhões em 2025. 

Com base nos dados do relatório, cálculos da E&M indicam que, em média, cerca de 1,3 milhão de angolanos passaram, todos os anos, a não ter rendimento suficiente para suportar o custo de uma dieta saudável. Isso equivale a aproximadamente 3.500 pessoas por dia. 

O documento  indica que o aumento do número de pessoas no País sem capacidade financeira para garantir uma alimentação saudável ao longo dos últimos oito anos coincide com a subida do custo dos alimentos para uma dieta saudável.  Segundo o SOFI, o custo médio diário passou de 3,18 dólares por pessoa, em 2017, para 5,18 dólares em 2025, um aumento de cerca de 63%. 

Um dado que indica que o aumento do preço dos alimentos tem afectado a capacidade financeira de muitas famílias, reduzindo o acesso a uma alimentação adequada. Como consequência, o nível de insegurança alimentar no país também tem vindo a crescer. O SOFI estima que 75,4% da população angolana, vivia em 2025, em situação de insegurança alimentar moderada ou grave. Na prática, significa que 28,6 milhões de pessoas enfrentam dificuldades regulares no acesso aos alimentos, sendo frequentemente obrigadas a reduzir a quantidade ou a qualidade das refeições e, nos casos mais graves, a passar um dia inteiro sem comer. 

O relatório indica ainda que 17,4% da população, o equivalente a 6,6 milhões de pessoas, estava subnutrida no ano passado. Outros 6,1 milhões de angolanos (16,2%) enfrentavam insegurança alimentar grave.

Produzido pela FAO em parceria com o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Programa Alimentar Mundial (PAM) e a Organização Mundial da Saúde (OMS), o SOFI é a principal referência internacional para acompanhar a evolução da fome, da segurança alimentar e da nutrição no mundo.

No mundo, estima-se que cerca de 645 milhões de pessoas passaram fome em 2025, menos 14 milhões do que no ano anterior e menos 43 milhões do que em 2022. África continua a concentrar quase metade da população mundial afectada pela fome. Dos 645 milhões de pessoas subalimentadas, 309 milhões vivem no continente africano, 292 milhões na Ásia e 32 milhões na América Latina e Caraíbas. 

Apesar da melhoria observada a nível global, o SOFI alerta que o problema continuará longe de ser resolvido até ao final da década. As projecções indicam que, em 2030, mais de 500 milhões de pessoas continuarão a passar fome em todo o mundo, das quais cerca de 56% estarão em África.