A conclusão resulta de dados apresentados pela Freshfel Europe, associação europeia do sector hortofrutícola, durante o primeiro dia Macfrut 2026, uma das principais feiras internacionais do sector, que decorreu de 21 a 23 de Abril, em Rimini, Itália.
Segundo dos dados daquela associação, o abacate afirma-se como um dos produtos mais dinâmicos da última década na Europa, tendo passado de nicho a produto de consumo massificado. Actualmente, é a 9.ª fruta mais consumida no continente, com penetração em cerca de 58% dos lares europeus.
Em termos de consumo, a média europeia atingiu 1,7 quilogramas per capita em 2024, mais do dobro dos 0,8 kg registados em 2016. Ainda assim, os níveis permanecem abaixo de mercados mais maduros, como o México, onde o consumo ronda os 10 kg per capita, e os Estados Unidos, com valores entre 3 e 6 kg.
Os maiores consumidores na Europa são a França, Reino Unido, Países Baixos e Espanha, enquanto mercados como Itália, Portugal e Polónia apresentam níveis ainda reduzidos, embora sinalizem potencial de crescimento.
Apesar da trajectória positiva, a Freshfel Europe antecipa uma desaceleração do crescimento em mercados maduros, com o aumento do consumo a depender mais da diversificação de usos, da conveniência e da segmentação premium do que da conquista de novos consumidores.

Produção global e dependência externa
A produção global de abacate deverá atingir 12 milhões de toneladas até 2030, com o comércio internacional a situar-se actualmente em cerca de 2,8 milhões de toneladas. A União Europeia representa aproximadamente 34% das importações globais.
O fornecimento europeu depende fortemente de países da América Latina, com o México a liderar as exportações globais, representando cerca de 45% do total. Peru, Colômbia e Chile figuram entre os principais fornecedores da Europa, com uma crescente diversificação para origens africanas, com destaque para o Quénia e África do Sul.
O abastecimento ocorre ao longo de todo o ano, com pico nos meses de Verão, particularmente em Julho, quando os volumes mensais podem ultrapassar as 100 mil toneladas.
Sustentabilidade e regulação pressionam cadeia de valor
No entanto, a expansão do mercado é acompanhada por desafios estruturais. Entre os principais riscos identificados estão o stress hídrico em países produtores como Peru, Chile e México, bem como a pressão regulatória associada ao Regulamento Europeu de Desflorestação (EUDR).
Segundo a Freshfel, países como México, Peru e Quénia enfrentam lacunas significativas em matéria de rastreabilidade e documentação do uso da terra, aumentando a exposição a riscos de conformidade.
Adicionalmente, questões sociais e de governação (ESG), incluindo condições de trabalho e exigências de salário digno, ganham relevância no acesso ao mercado europeu. Em paralelo, factores operacionais como o crime organizado no México, frequentemente associada ao chamado “imposto do abacate”, continuam a afectar custos e fiabilidade do fornecimento.
*Em Rimini, Itália, a convite da ITA e da Macfrut


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