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Ministros traçam rota comum para a transformação digital em África

Adnardo Barros
12/6/2026
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Foto:
Carlos Aguiar

Os ministros dos quatro países debateram o impacto da tecnologia no desenvolvimento económico e social.

Os ministros das Comunicações de Angola, Namíbia, República Democrática do Congo e África do Sul defenderam, no primeiro dia da sexta edição do ANGOTIC 2026, em Luanda, sob o lema «Transformação Digital — Impacto no Desenvolvimento Económico e Social», que a aceleração da digitalização das economias africanas passa  por infra-estruturas robustas e investimento no capital humano. 

 O ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, Mário Oliveira, sublinhou que nada serve criar aplicações sem infra-estrutura sólida, destacando o investimento nacional em fibra óptica e no Programa Espacial, bem como a formação de 130 jovens para operar serviços de comunicação espacial.

A representante da  Namíbia partilhou os desafios de um país vasto e pouco povoado, onde a conectividade nas comunidades remotas é cara e difícil. A representante namibiana pediu um equilíbrio regulatório para  proteger os cidadãos e garantir a segurança cibernética sem sufocar a inovação dos jovens empreendedores. 

Já o ministro dos Correios e Telecomunicações da  República Democrática do Congo, José Kabangu, manisfestou  a necessidade de instalar mais de 50 mil quilómetros de fibra óptica até 2030. O ministro congolês revelou ainda a transferência da sede da União Africana de Telecomunicações para Kinshasa e a candidatura do país ao Conselho da União Internacional de Telecomunicações (UIT). 

A África do Sul trouxe o exemplo do programa SA Connect, focado na inclusão socioeconómica e na eliminação de barreiras geográficas. O ministro sul-africano explicou que a economia do país, sendo pequena e aberta, está muito exposta às flutuações globais, necessitando da tecnologia como índice clave de competitividade.

A transformação sul-africana já abandonou os processos manuais e tradicionais, operando agora na esfera dos pagamentos digitais, dos frameworks de intercâmbio de dados e da identidade digital única. O impacto social é visível através da tecnologia de quinta geração (5G) e de espaços televisivos, crianças de comunidades desfavorecidas podem hoje aceder a bibliotecas digitais a partir de casa, em segurança, mitigando a necessidade de deslocações nocturnas perigosas. 

No plano macroeconómico, o ecossistema digital eliminou os custos de financiamento de capital e de networking para as pequenas e médias empresas (PMEs), abrindo-lhes as portas de mercados distantes.