IFC Markets Live Quotes
Powered by
3
1
PATROCINADO

Moçambique busca industrialização conjunta para aceder a mercados internacionais

Hermenegildo Langa
20/5/2026
1
2
Foto:
DR

O objectivo passa por criar plataformas industriais em Moçambique orientadas para abastecer mercados africanos e asiáticos.

Moçambique procura reforçar a sua aposta na industrialização conjunta como estratégia para potenciar o acesso aos mercados africanos e asiáticos, defendendo a criação de parcerias industriais e cadeias de valor partilhadas com a Indonésia, num contexto de expansão das relações económicas bilaterais.

A posição foi expressa, esta segunda-feira, durante um Business Lunch organizado pela Embaixada da Indonésia em Moçambique, evento que assinalou os 35 anos de relações diplomáticas entre os dois países e juntou representantes institucionais e do sector empresarial. O evento tinha como objectivo fortalecer ainda mais as relações de investimento e comércio entre a Indonésia e Moçambique.

Na ocasião, o presidente da Confederação das Associações Económicas (CTA) de Moçambique, Álvaro Massingue, destacou Moçambique como uma das principais portas de entrada da Indonésia para o mercado da Zona de Comércio Livre Continental Africana (AfCFTA), considerada a maior área de livre comércio do mundo em número de países.

Álvaro Massingue afirmou que a reorganização das cadeias globais de abastecimento abre novas oportunidades para África, defendendo que o continente deixou de ser apenas o futuro para se tornar o mercado do presente.

“O que está em causa não é apenas comércio, mas uma oportunidade histórica para redefinir a geografia económica do Oceano Índico e ligar o Sudeste Asiático a África através do investimento, da industrialização, da logística, da energia e do comércio”, afirmou o presidente da CTA.

O líder da maior entidade patronal defendeu ainda a criação de joint ventures em sectores como agro-indústria, fertilizantes, pescas, têxteis, logística, farmacêutica e energia, sublinhando a necessidade de plataformas industriais em Moçambique orientadas para abastecer mercados africanos e asiáticos.

Para Álvaro Massingue, Moçambique e Indonésia possuem condições para construir uma relação económica assente no investimento e na transformação industrial. Neste sentido, “a cooperação entre os dois países não se deve limitar ao comércio tradicional, mas avançar para a transformação”.

Enquanto isso, o presidente da Câmara de Comércio de Moçambique (CCM), Lucas Chachine, destacou que a conexão entre os empresários destes países deve resultar em relações económicas mais sólidas e profícuas, em prol do fortalecimento do sector privado. Chachine observou ainda que é fundamental que ambos partilhem experiências, façam transferência de “know how” sobre o desenvolvimento industrial, para os jovens, em prol do crescimento de suas economias.

“A mudança passa por reconhecermos que ainda temos desafios na nossa actuação, no entanto devemos agregar valor na produção e transformar as dificuldades em oportunidades”, referiu.

Por sua vez, o Embaixador da Indonésia em Moçambique e Malawi, Kartika Candra Negara, manifestou a intenção do seu país de aprofundar a cooperação económica, passando do simples comércio de bens para a criação de cadeias de valor conjuntas e instalação de unidades industriais em território moçambicano.

O diplomata garantiu que os contactos empresariais estabelecidos durante o encontro serão sistematizados e partilhados com associações sectoriais na Indonésia, com vista à organização de encontros de negócios virtuais e presenciais entre empresas dos dois países.