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Standard Bank antevê crescimento abaixo de 1,1% da economia moçambicana

Hermenegildo Langa
4/5/2026
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Foto:
DR

O pessimismo deve-se à existência de riscos climáticos desde o início do ano, de pressões fiscais recorrentes bem como de desequilíbrios entre a oferta e a procura de moeda externa.

O Standard Bank antevê um risco acrescido de a economia moçambicana crescer abaixo de 1,1% este ano, após uma contracção de 0,5% em 2025, denotando uma recuperação lenta da actividade económica. Os dados foram apresentados, em Maputo, durante a vigésima segunda edição do Economic Briefing que decorreu sob o lema: “Perspectivas Económicas para 2026: Moçambique e o Contexto Internacional”, num evento que reuniu economistas e gestores empresariais.

Recorrendo aos dados disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o economista-chefe do Standard Bank, Fáusio Mussá, começou por recordar que o PIB nominal de Moçambique esteve em cerca de 22,4 mil milhões de dólares em 2025, o que representa um PIB per capita de apenas 657 dólares.

“Estimamos que, após uma recuperação no último trimestre de 2025, o crescimento do PIB se torne negativo neste segundo trimestre de 2026, devido, essencialmente, ao impacto da paralisação da Mozal, da materialização de riscos climáticos desde o início do ano, de pressões fiscais recorrentes, de desequilíbrios entre a oferta e a procura de moeda externa, bem como de episódios de oferta intermitente de combustíveis”, anuiu o economista.

Segundo Fáusio Mussá, considerando o choque global de oferta causado pelo conflito no Médio Oriente, que tem resultado numa redução na oferta global de petróleo em cerca de 10% e no aumento do preço do crude, prevê-se um aumento da inflação homóloga em Moçambique, dos 3,2% registados no final de 2025 para 6,4% em Dezembro de 2026.

“Estas adversidades que a economia moçambicana enfrenta, acrescentou, exigem respostas adequadas do ponto de vista das políticas económicas e reformas, de modo a assegurar a estabilidade macroeconómica e social”, alerta Mussá.

Num outro desenvolvimento, o economista-chefe do Standard Bank alertou que, sem o desenvolvimento adequado de infra-estruturas, o país fica mais vulnerável aos efeitos dos eventos climáticos adversos e recorrentes, tornando-se menos atractivo ao investimento privado.

Mas há ainda oportunidades

Por sua vez, o administrador-delegado do Standard Bank, Bernardo Aparício, considerou que o país está diante de inúmeras oportunidades para voltar a crescer na ordem dos 10%, à medida que os grandes projectos estruturantes entram em fases mais avançadas de implementação e começam a produzir efeitos na economia.

“Há uma luz ao fundo do túnel e estamos cada vez mais perto de voltar aos níveis de crescimento que tivemos no passado em Moçambique. A expectativa é que, a partir de 2028, possamos regressar a crescimentos de 10%. Quem tem uma visão de longo prazo, esta é a altura de começar a fechar acordos e de planear investimentos”, afirmou Bernardo Aparício.

Para além da apresentação das perspectivas macroeconómicas, o evento debateu a retoma dos projectos de petróleo e gás e investimento em infra-estruturas.

Participaram, como painelistas, Fernando Ouana, director nacional de Logística e Desenvolvimento do Sector Privado, Carlos Yum, director do Projecto Mphanda Nkuwa, Nelson Cossa, administrador executivo da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), Florival Mucave, presidente da Câmara de Energia de Moçambique, Rômulo Cunha Corrêa, representante do Banco Africano de Desenvolvimento em Moçambique, e Marica Calabrese, directora executiva da Eni Rovuma Basin.

Os painelistas convergiram na necessidade de mais investimento em infra-estruturas, com especial enfoque na sua ligação às áreas produtivas, bem como na importância de um envolvimento mais activo do sector privado no ecossistema das multinacionais, em particular no GNL.