O impacto devastador dos fenómenos climáticos extremos em Moçambique causou prejuízos económicos e necessidades de reconstrução estimadas em cerca de 48,6 mil milhões de meticais, equivalente a 760,7 milhões de dólares. A informação foi avançada pela ministra das Finanças de Moçambique, Carla Louveira, que falava na segunda-feira, em Maputo, no diálogo nacional sobre resiliência, um evento que reuniu representantes do Governo, parceiros de cooperação, do setor privado e da sociedade civil.
De acordo com a governante, os fenómenos climáticos extremos afectaram aproximadamente 1,7 milhões de pessoas e destruíram mais de 210 mil casas, além de causarem perdas significativas na agricultura, insegurança alimentar, interrupção de serviços essenciais e redução das receitas económicas.
As catástrofes naturais afectaram também as cadeias de rendimento, os transportes e as infra-estruturas sociais, agravando as vulnerabilidades e aumentando a pressão sobre as finanças públicas.
“Quando falamos de resiliência, falamos de uma agenda nacional, falamos de uma agenda de desenvolvimento nacional, de planos para proteger a vida, mas também para proteger os investimentos em infra-estruturas resilientes com capacidade para resistir a choques e garantir a continuidade dos serviços essenciais”, afirmou a governante.
Segundo Louveira, os fenómenos meteorológicos extremos criaram necessidades urgentes de resposta, recuperação e reconstrução fora do orçamento inicialmente previsto, com impactos diretos na dívida pública e na sustentabilidade fiscal do país. Na ocasião, a governante destacou o Plano de Protecção Financeira contra Catástrofes 2022-2027 como um instrumento destinado a garantir intervenções rápidas, focadas e resilientes em situações de catástrofe.
“O Fundo de Gestão de Catástrofes garantirá também uma dotação anual mínima correspondente a 0,14% das receitas fiscais incluídas no Orçamento do Estado. O seguro soberano permite a indemnização e o acesso rápido a indemnizações em momentos críticos para a nossa população”, afirmou, sublinhando que a recente aprovação da Estratégia Nacional de Financiamento Climático 2025-2034 representa um marco importante na mobilização de recursos para tornar a economia e a sociedade do país mais resilientes às alterações climáticas.
Por seu lado, Fily Sissoko, director do Banco Mundial em Moçambique, afirmou que as inundações registadas no início do ano causaram danos significativos num país já afectado por múltiplas crises. Segundo Sissoko, o plano de recuperação do país está orçado em mil milhões de dólares.
“O país tem enfrentado várias crises, nomeadamente o impacto de choques, inundações, ciclones sucessivos, pandemias, manifestações pós-eleitorais e a crise no Médio Oriente. Até 2050, mais de metade da população de Moçambique viverá em cidades, muitas delas localizadas em zonas costeiras vulneráveis a fenómenos meteorológicos extremos”, explicou o director do Banco Mundial em Moçambique.


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