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Moçambique: Governo alerta para o “novo normal” face à crise de combustíveis

Hermenegildo Langa
20/4/2026
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Foto:
DR

O Governo moçambicano recomenda o uso de transportes públicos, o recurso ao trabalho remoto e a adopção de outras medidas que contribuam para a poupança de combustível.

O Governo moçambicano exortou os cidadãos a prepararem-se, com calma e serenidade, para um “novo normal”, marcado pela iminente actualização dos preços dos combustíveis no país provocado pela escalada de guerra no Médio Oriente.

Através de uma nota divulgada este domingo, o Executivo, o “novo normal” resulta, entre outros factores, da manutenção da guerra no Médio Oriente, situação que impõe a racionalização do consumo de combustíveis. Entre medidas a adoptar, o Governo moçambicano recomenda o uso de transportes públicos, o recurso ao trabalho remoto e a adopção de outras medidas que contribuam para a poupança de combustível.

O apelo ocorre numa altura em que Moçambique assiste uma das piores crises de combustíveis desde o período pós-colonial, onde os automobilistas são obrigados a percorrer vários quilômetros em busca de abastecimento. Entretanto, após uma inspecção, o Executivo reitera, contudo, que ainda existe disponibilidade de combustíveis no país, mas “apela aos operadores do mercado a agirem com responsabilidade, salvaguardando o interesse público”.

“O Governo informa que vai continuar a trabalhar no sentido de proteger a economia, as famílias e os cidadãos”, lê-se na nota a que a Revista Economia & Mercado (E&M) teve acesso.

Recorde-se que para garantir a normalização do abastecimento, o Governo adoptou, na semana passada, medidas excepcionais, incluindo a permissão para que os Postos de Abastecimento de Combustíveis possam adquirir combustível mesmo sem contrato com um distribuidor específico, bem como a extensão do período de validade das garantias bancárias, permitindo às empresas reforçar a sua liquidez.

As medidas incluem ainda a proibição da reexportação de combustíveis, sem prejuízo do transporte regular para países do hinterland, incluindo a África do Sul, que abastece as províncias de Mpumalanga e Limpopo a partir do Porto de Maputo.

Falta de divisas

Se por um lado, a crise de combustível no país é provocada pela escalada de guerra no Médio Oriente, há também um “velho problema” que agudiza a situação: falta de divisas. Desta vez, a constatação veio do próprio Governo que afirma que “algumas distribuidoras enfrentam dificuldades na obtenção de garantias bancárias em dólares junto dos bancos comerciais”, situação que motivou a intervenção do Banco de Moçambique.

“Parte das empresas do sector se encontra descapitalizada, o que limita a sua capacidade de cumprir os requisitos financeiros exigidos”, aponta o Executivo.

O Governo aponta ainda indícios de açambarcamento, situação que está a ser investigada pelas autoridades competentes. A este respeito, o Executivo assegurou que “a situação está a merecer a devida atenção por parte das autoridades competentes, para a necessária responsabilização, nos termos da lei”.

Moçambique mantém, por ora, os preços dos combustíveis actualmente em vigor, devendo a sua revisão ocorrer até ao final de Abril ou início de Maio.