O Governo reagiu, esta terça-feira, ao relatório do Banco Mundial que classifica o país como o segundo mais pobre do mundo, esclarecendo que os indicadores utilizados pela instituição que por sinal é um dos principais credores multilaterais de Moçambique diferem dos critérios nacionais.
A reação veio do porta-voz do Executivo moçambicano, Inocêncio Impissa, que falava após mais uma sessão ordinária do Conselho de Ministros, tendo destacado que o Governo fará uma avaliação detalhada antes de qualquer pronúncia oficial. Ainda assim, o Governo, segundo o porta-voz, respeita o posicionamento do Banco Mundial, frisando que “os dados internacionais não coincidem com os levantamentos internos realizados pelo país”.
“Sobre índice de pobreza Moçambique feito pelo Banco Mundial, o que posso dizer é que, bom, nós também acompanhamos, o que estamos a fazer é que o Ministério da Planificação e Desenvolvimento entende primeiro que os critérios utilizados pelo Banco Mundial para realizar a sua avaliação são diferentes do inquérito que é feito ao Orçamento Familiar, o IOF, que é um instrumento interno e nacional que tem sido feito”, declarou o porta-voz.
De acordo com o porta-voz, Moçambique já fez até esta fase cinco inquéritos, sendo que o último foi feito em 2022, mas “os elementos que o Banco Mundial apresenta são diferentes do ponto de vista quer dos critérios utilizados, quer dos indicadores que são utilizados para classificar o índice de pobreza nacional.”
“O pronunciamento do Banco Mundial é um parceiro independente, tem os seus critérios, o que se está a fazer agora é pegar a informação, analisar vis-à-vis os critérios nacionais para depois o país se pronunciar, se tiver de se pronunciar sobre essa matéria. Mas até aqui estamos apenas a observar e a respeitar um posicionamento, e nós vamos apresentar o nosso quando chegar a vez. Muito obrigado”, acrescentou o governante, sublinhando que o Governo irá analisar os dados do relatório internacional à luz dos critérios nacionais.
Contudo, o porta-voz esclareceu também que não é possível fornecer números precisos neste momento, mas que os mecanismos de produção de dados nacionais seguem processos regulares.
Recorde-se que o relatório do Banco Mundial divulgado na última quarta-feira sobre Actualização Económica de Moçambique, intitulado: “Da fragilidade à estabilidade – Porque as reformas fiscais não podem esperar”, refere que o país está entre os 10 mais desiguais do mundo e que 81% da população moçambicana gasta menos de três dólares por dia, quase 200 meticais.
No documento, o Banco Mundial alertou que Moçambique está “num momento crítico”, em que precisa aliviar as pressões fiscais e acelerar o crescimento e fortalecer a coesão social, numa altura em que o país enfrenta “baixo crescimento económico, condições macro fiscais desafiantes e crescentes exigências sociais”.
“O número absoluto de pessoas vivendo na pobreza continuará a aumentar, com um acréscimo estimado em 1,8 milhões até 2028”, lê-se.
A instituição da Bretons Woods lembra que o crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) caiu abruptamente de 5,5% para 2,2% entre 2023 e 2024, e contraiu-se em 0,5% em 2025.
O Banco Mundial, no seu documento, identifica reformas fiscais, que considera críticas, nomeadamente, a contenção da massa salarial pública, para aliviar pressões e melhorar a qualidade dos serviços, a mobilização de mais receitas através de reformas fiscais e administrativas, e o reforço da gestão da dívida pública.
“A actividade económica foi perturbada por distúrbios civis após as eleições de Outubro de 2024, mas os grandes desequilíbrios macroeconómicos têm prejudicado o crescimento desde 2022. Pressões fiscais agudas e escassez persistente de divisas enfraqueceram a confiança dos investidores e a actividade do sector privado”, conclui.


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