O Fundo Monetário Internacional (FMI) está em Moçambique, a partir de hoje até sexta-feira, para mais uma missão de avaliação económica e financeira abrangente do país, incluindo uma análise detalhada do sistema cambial abrigo das consultas que a organização regularmente efectua junto dos países membros.
A equipa do FMI, liderada por Pablo López Murphy, deverá discutir mais uma vez a melhor forma de apoiar Moçambique, numa altura em que o Governo moçambicano está a negociar um novo programa de apoio financeiro com a instituição.
Segundo avançou o Ministério das Finanças, em Moçambique, a missão do FMI deverá ainda avaliar as medidas de contenção e de políticas fiscais adoptadas pelo Executivo no âmbito das reformas económicas.
A nova avaliação surge na sequência do FMI ter reprovado Moçambique, em Fevereiro, para o novo empréstimo financeiro após uma missão realizada em Dezembro do ano passado. Na altura, através do Relatório da Consulta do Artigo IV de 2025, sobre o desempenho macroeconómico, o FMI apontou incertezas quanto ao novo empréstimo para Moçambique, destacando que “o país continua a enfrentar um ambiente macroeconómico complexo, caracterizado por um crescimento abaixo do desejável, vulnerabilidades fiscais e de endividamento e queda da ajuda externa, num momento em que se confronta com prementes necessidades de desenvolvimento”.
No relatório, o FMI sugeriu várias reformas económicas para sustentar o crescimento económico de Moçambique, enfatizando que o financiamento externo líquido tem sido negativo, levando a uma redução estimada do défice orçamental para 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, face aos 6,2% registados em 2024.
“O Governo enfrenta condições de financiamento cada vez mais difíceis. Com os atrasos no serviço da dívida, a detenção de títulos públicos pelos bancos nacionais – a principal fonte de financiamento dos grandes e persistentes défices fiscais – estagnou. O financiamento externo líquido tem sido negativo”, constatou a equipa em Dezembro passado.
Na última avaliação, o FMI refere ainda que “as actuais políticas macro-económicas – notadamente os grandes défices fiscais e a necessidade de maior flexibilidade cambial – provavelmente exacerbarão as vulnerabilidades macro-económicas e da dívida”. “Os défices fiscais primários devem ficar em torno de 2% do PIB até 2029, mas é provável que aumentem, devido ao crescimento dos pagamentos de juros.”
Após o relatório do FMI, o Governo decidiu, em Abril, recorrer às Reservas Internacionais Líquidas (RIL) do Banco de Moçambique (BdM) para liquidar integralmente a sua dívida junto da instituição, no valor de 701,4 milhões de dólares, equivalentes a 514,04 milhões de Direitos de Saque Especiais (SDR), encerrando desta forma todos os pagamentos pendentes e antecipando o calendário de amortizações que se estenderia até 2030.
Com o pagamento da dívida junto do FMI, Moçambique perfila agora como o único país, entre 85 nações listadas, sem obrigações em atraso perante aquela instituição. Contudo, apesar desta liquidação, o FMI recusou aprovar um novo empréstimo antes de avançar com mais uma avaliação.
Recorde-se que a nova avaliação do FMI acontece numa altura em que Moçambique enfrenta problemas económicos devido aos novos choques globais resultantes da escalada de guerra no Médio Oriente.
Com a guerra no Médio Oriente, o país assiste actualmente uma escassez sem precedentes de combustíveis quase em todo o território nacional, havendo igualmente alertas para o aumento da inflação nos próximos meses.


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