O volume de transacções cambiais entre bancos em Moçambique registou, de Abril a Junho deste ano, um maior dinamismo de cerca de 262,74% face ao trimestre anterior, contrastando a escassez de divisas que o país enfrenta há vários anos. Os dados constam no Boletim dos Mercados Monetário Interbancário e Cambial divulgado esta terça-feira pelo Banco de Moçambique (BdM).
De acordo com o documento consultado pela Revista Economia & Mercado (E&M), no segundo trimestre do ano em curso, o volume de operações cambiais realizadas pelos bancos junto com os seus clientes também registou uma evolução de cerca de 19%.
No sentido inverso, o volume das operações com derivados financeiros registou uma redução face ao trimestre anterior numa operação em que a taxa de câmbio efectiva e a taxa de câmbio de referência situaram-se em 63,90 meticais por dólar (MZN/USD) e 64,01 meticais por dólar, respectivamente.
“No final do período em análise, as taxas de câmbio efectiva e de referência mantiveram-se praticamente inalteradas ao longo do trimestre, tendo-se observado, contudo, um ligeiro alargamento do diferencial entre ambas”, lê-se.
De acordo com o relatório, no que respeita ao Mercado Cambial, a taxa de câmbio do Metical face ao Dólar americano manteve-se relativamente estável ao longo de todo o segundo trimestre de 2026. Em termos de volume de transacções, neste segmento do mercado, “registou-se um aumento face ao trimestre anterior, em linha com o padrão sazonal e com o período homólogo de 2025, reflectindo as conversões extraordinárias, bem como a retoma dos projectos de exploração do gás natural liquefeito”.
Adicionalmente, no mercado monetário, as taxas de juro dos Bilhetes do Tesouro (BT), segundo o banco central, registaram ligeiros aumentos, durante o período em análise, enquanto as taxas das operações de permuta de liquidez e das operações de reverse repo mantiveram-se estáveis, em linha com taxa de juro de política monetária (taxa MIMO).
Recorde-se que em Maio, o Comité de Política Monetária (CPMO) do BdM decidiu manter a taxa MIMO em 9,25%. Essa decisão reflectiu a prevalência de elevados níveis de incerteza associados à duração do conflito no Médio Oriente e aos seus potenciais impactos sobre a cadeia logística, oferta de bens, bem como sobre a evolução dos preços internacionais e domésticos dos combustíveis e dos produtos alimentares.
Na mesma sessão, o CPMO decidiu aumentar o coeficiente de Reservas Obrigatórias para os passivos em moeda nacional de 29% para 39%, com o objectivo de absorver a liquidez excedentária no sistema bancário, susceptível de gerar pressões inflacionárias.









.jpeg)





