Bem ao seu jeito frontal, assinala a criação do Canal do Cafu, mas aponta para insuficiências de políticas de fomento da actividade do campo. Destaca o movimento de mitigação dos efeitos da última estiagem, entretanto, defende que o Governo deve evitar certas acções que distanciam os operadores de práticas que garantam a auto-sustentabilidade dos negócios.
São quase cíclicas as queixas de criadores de gado e camponeses quando há redução ou ausência de chuvas no país. Onde reside o problema: despreparo dos operadores ou insuficiência de programas de responsabilidade do Estado?Acho que são as duas coisas. Vivemos muito um paradigma na pecuária que está ultrapassado. Já lá vai o momento em que um criador de boi colocava o boi a comer capim e ele sustenta-se. Isso já no tempo antigo não era assim. Já no tempo colonial, quem tivesse animais a partir de uma certa dimensão tinha que pensar em suplementação. Uma coisa é um amigo ter 8, 10, 20 cabeças… Angola é grande, há muita terra e o que é que se fazia? O senhor tem 10 cabeças, tem um pasto onde os animais circulam, depois o pasto acaba, você vai naquela baixa lá atrás da montanha, depois vai na fazenda do seu parente, vai junto ao rio e você passa o ano com pastor atrás dos bois e a suplementar. Quando se começa a pensar em dezenas de bois, centenas de bois, você não os pode ter dispersos. Tem de os ter confinados numa cerca e por aí fora.
E o que é que se passa hoje?
O que se passa hoje é que, se para ter um restaurante tenho que investir numa cozinha, numa sala; se eu para ter um projecto agrícola tenho que investir num tractor, numa colhedora; se para ter uma loja de materiais de construção tenho que investir nos materiais de construção... Na pecuária, é igual. Não basta comprar o boi, há outros materiais; você tem de ter uma manga de vacinação, você tem que ter suplementação animal. Há um número que sempre que eu falo com os jornalistas eu não deixo de citar: um boi come 40 a 50 quilos de capim por dia e bebe 60 litros de água. Agora faça contas: se você não investir minimamente na suplementação animal, o boi vai viver aquilo a que nós chamamos o efeito sanfona. O que é que é o efeito sanfona? Ele, no tempo da chuva, engorda 80 quilos, quando vem o tempo seco, ele perde 60. Então você vai precisar de 5, 6 anos para o boi atingir um peso expressivo para ir para o mercado. Hoje, quem tem boi tem de trabalhar no sentido de o boi, para além de não perder peso, aumentar. Para isso, é preciso fazer investimentos. Na minha fazenda, por exemplo, já temos o boi debaixo de um sistema de rega, o nosso boi está debaixo do pivot central – acho que somos os únicos no País –, pasto irrigado todos os dias. E quando o animal não engorda pelo menos 1 quilo por dia, ficamos preocupados. O animal tem de engordar 300 a 360 quilos por ano para, nos 450 a 500 quilos, ir para o mercado.
Leia este artigo na íntegra na edição 260 da revista Economia & Mercado, disponível nas bancas.


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