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‘Os Mangais de Angola’: Obra sobre resiliência climática chega ao país após lançamento na ONU

Victória Maviluka
19/12/2025
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Foto:
DR

Livro tem o prefácio da secretária-geral da Conservação de Ramsar sobre Zonas Húmidas e traça o quadro de um ecossistema que se estende pela costa angolana.

O caso de estudo é um dos mais potentes ecossistemas do universo. As múltiplas funções atestam a sua importância: sequestradores de dióxido de carbono, protecção contra erosão, berçário de espécies marinhas e fonte de subsistência de comunidades. ‘Os Mangais de Angola’ estão, agora, compilados num livro que chegou, esta semana, às bancas do país, após lançamento de estreia, em 2024, nos corredores das Nações Unidas.

Na ficha técnica da obra, um nome sonante das causas de defesa do meio ambiente em Angola salta à vista: Fernanda Renée, a quem é atribuída a principal responsabilidade por ter colocado os mangais na agenda do país, quando, há cerca de nove anos, começou a percorrer, a partir do Lobito (sua terra natal), o litoral de Angola para salvar os mangais e a sua biodiversidade do desflorestamento.

A sua iniciativa, através da ONG Otchiva, muito cedo ganhou notoriedade nacional e internacional. Aliás, é por esta razão que a ONU chamou para si o lançamento inédito, em Nova Iorque, do livro ‘Os Mangais de Angola’ durante a sua 79.ª Sessão da Assembleia Geral e Cimeira do Futuro, fóruns globais onde a protecção ambiental e as alterações climáticas estiveram no centro do debate.

Musonda Mumba, secretária-geral da Conservação de Ramsar sobre Zonas Húmidas, é quem assinou o prefácio do livro que Fernanda Renée partilha a autoria com Karélia Botelho (directora Nacional de Educação Ambiental) e Zeca Daniel. A obra é o resultado de expedições em seis províncias da costa angolana.

A Sonangol, enquanto empresa pública estratégica, reconhece que o desenvolvimento económico só é verdadeiramente sustentável quando caminha lado a lado com a protecção do ambiente

Biodiversidade, comunidades vizinhas de zonas húmidas, ameaças à sobrevivência dos ecossistemas, educação ambiental e restauração e conservação de mangais fazem o conteúdo do livro patrocinado pela Sonangol, empresa que, em 2021, inaugurou o programa ‘Carbono Azul’ sob os desígnios de contributo para a “sustentabilidade ambiental e o futuro de Angola” como assinalou o PCA da petrolífera.

“A Sonangol, enquanto empresa pública estratégica, reconhece que o desenvolvimento económico só é verdadeiramente sustentável quando caminha lado a lado com a protecção do ambiente, a valorização do conhecimento científico e a responsabilidade social”, afirmou Sebastião Pai Querido Gaspar Martins, perante uma plateia repleta de individualidades de vários estratos da sociedade angolana.

Antes da intervenção de Pai Querido, tinha assumido o púlpito Ana Dias Lourenço. Nas breves considerações sobre o lançamento da obra ‘Os Mangais de Angola, a Primeira-Dama da República reafirmou o seu comprometimento com as causas defendidas por Renée & companhia: “Sinto-me bastante agradecida também por ser parte de todo este acontecimento que nos levou até aqui”.

Primeira-Dama ao lado dos autores do livro

Um apelo à inspiração na defesa do ambiente

Ana Dias Lourenço considerou que a obra é o resultado de “muito trabalho, dedicação, comprometimento com a natureza e responsabilidade com a sustentabilidade ambiental”. Augurou que cada leitor, ao mergulhar nas páginas do livro, se sinta inspirado a reconhecer, com acções concretas, a importância de cada gesto de preservação do ambiente para “um futuro mais saudável e sustentável”.

Ao tomar a palavra em nome do grupo de autores, Fernanda Renée, cujas causas de defesa do ambiente tornaram-na, com apenas 29 anos, em 2021, Conselheira da República, agradeceu o apoio de voluntários, das comunidades, das Administrações Municipais e das forças castrenses durante os trabalhos de campo nas províncias de Cabinda, Bengo, Icolo e Bengo, Luanda, Kwanza-Sul e Benguela. 

Apesar das conquistas alcançadas, há um longo caminho a percorrer para que a protecção do ambiente seja uma prioridade absoluta nas consciências de todos os cidadãos

Destacou, igualmente, o envolvimento de operadores do sector petrolífero nas causas do meio ambiente em Angola, e particularizou a cooperação com a Sonangol, tanto na efectivação do programa ‘Carbono Azul’ – de que a ONG Otchiva é parceira – como na publicação do livro ‘Os Mangais de Angola’.

Para uma obra cujo campo de estudo foi o solo angolano, a engenharia de Petróleos apaixonada pela natureza não deixou dúvidas de que o lançamento do livro em Angola se revestiu de singular simbolismo. “Este é um verdadeiro lançamento, (...) um momento ímpar”, disse Renée, que espera que o estudo gere “profunda reflexão” sobre o comprometimento do país com o ambiente.

“Apesar das conquistas alcançadas, há um longo caminho a percorrer para que a protecção do ambiente seja uma prioridade absoluta nas consciências de todos os cidadãos, na agenda diária de quem tem a responsabilidade de cumprir e fazer cumprir a lei em toda a sua plenitude”, atirou, sem titubear, a mulher que, este ano, se tornou porta-voz das Zonas Húmidas pela Convenção de Ramsar, órgão afecto à UNESCO, com o Secretariado em Genebra (Suíça).

Secretário de Estado para o Petróleo e Gás (à esquerda)e PCA da Sonangol testemunharam o lançamento do livro ' Os Mangais de Angola'

“Mangais não são apenas paisagens naturais”

O livro ‘Os Mangais de Angola’ é um convite para se olhar com mais atenção para um dos ecossistemas “mais ricos e, ao mesmo tempo, mais vulneráveis do país”. A afirmação, que soou como que alerta no evento, é do cunho do secretário de Estado para o Petróleo e Gás, José Barroso.

O governante, a quem coube encerrar a cerimónia em Luanda de lançamento da obra de Renée, Karélia e Zeca, disse que o livro, disponível nas bancas angolanas desde segunda-feira, 15, representa “um importante gesto” de valorização do conhecimento, da ciência e do compromisso com o futuro ambiental do país.

“Os mangais não são apenas paisagens naturais de grande beleza [‘habitat’ de espécies como flamingos, moluscos e crustáceos], são verdadeiros pilares de equilíbrio ecológico, fundamentais para a protecção da linha costeira, para a biodiversidade marinha e para a subsistência de muitas das nossas comunidades”, detalhou.

Membros da Otchiva pousam ao lado de alguns convidados à cerimónia de lançamento do livro sobre os mangais em Angola

José Barroso acrescentou, no evento testemunhado por Luísa Grilo, ministra da Educação, que o livro presta “um contributo valioso” ao reunir conhecimento científico, reflexão crítica e sensibilidade ambiental, ajudando a “compreender melhor a importância estratégica” dos mangais no contexto das alterações climáticas, do desenvolvimento sustentável e da preservação dos recursos naturais. 

“Ao fazê-lo, lança também o desafio de transformar conhecimento em acção, investigação em políticas públicas e consciência social, bem como em responsabilidade colectiva”, concluiu o secretário de Estado para o Petróleo e Gás, que representou no acto o ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Pedro Azevedo.