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“Os resultados precisam sair das estações experimentais e transformar a vida no campo” - Mônica Martins

Sebastião Garricha
23/2/2026
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Além de licenciada em Engenharia Agronómica pela Faculdade de Ciências Agrárias do Huambo, Mônica Martins é mestre em Melhoramento Genético de Plantas pela Universidade de Porto Rico, nos EUA.

Há quem conheça a terra apenas pela paisagem. Mônica Martins conhece-a pelo cheiro, pela textura e pelo silêncio que antecede a colheita. No campo experimental, a engenheira agrónoma move-se com a disciplina de um “soldado”, expressão que traduz a firmeza com que enfrenta cada desafio, desbravando caminhos para fortalecer a terra e potenciar sua fertilidade.

Supervisora nacional do projecto Minbos/Soul Rock e quadro do Instituto de Investigação Agronómica (IIA), a engenheira agrónoma, natural do Huambo, lidera estudos destinados a comprovar a eficácia de um fertilizante natural, com potencial para reduzir os custos de produção e reforçar a segurança alimentar no País.

À Economia & Mercado (E&M), explica que a aposta no fosfato de rocha de Cabinda surge como resposta à forte dependência de fertilizantes importados e aos elevados encargos suportados pelos produtores nacionais. O objectivo é claro: desenvolver soluções locais, sustentáveis e economicamente viáveis, capazes de dinamizar a agricultura nacional.

Além de licenciada em Engenharia Agronómica pela Faculdade de Ciências Agrárias do Huambo, Mônica Martins é mestre em Melhoramento Genético de Plantas pela Universidade de Porto Rico, nos Estados Unidos da América (EUA).

Não fossem as dificuldades, o seu sonho teria seguido a direcção da saúde. Contudo, acabou por ingressar no Instituto Médio Agrário, escolha que se revelaria decisiva para o despertar da vocação.

Percurso profissional

O percurso profissional de Mônica Martins é marcado pela diversidade e pelo compromisso social. Trabalhou no projecto Unicef Educação (TEP), dedicando-se à alfabetização de alunos fora do sistema formal de ensino; leccionou na escola Comandante Dangereux e no Instituto Médio Agrário do Quéssua, em Malanje; e integrou o Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA), no âmbito do Programa de Extensão e Desenvolvimento Rural.

Foi igualmente supervisora no projecto PRORENDA, da Visão Mundial, com participação da Universidade de Michigan, acumulando experiência em iniciativas voltadas para o aumento da produtividade agrícola.

Apesar do trajecto consistente, Mônica reconhece que ainda não se sente plenamente realizada. Para si, a investigação só cumpre o seu verdadeiro papel quando ultrapassa os relatórios técnicos e chega, de forma efectiva, ao agricultor familiar e empresarial.

“Os resultados precisam sair das estações experimentais e transformar a vida no campo”, defende, sublinhando que a ciência agrária deve constituir-se como instrumento directo de combate à pobreza rural e de promoção da segurança alimentar.

No plano pessoal, admite que ainda há metas por alcançar. É essa inquietação, a vontade permanente de aprender, aprofundar conhecimentos e contribuir de forma mais ampla para o desenvolvimento do sector agrário nacional, que a mantém em movimento.

Enquanto mulher na engenharia agronómica, afirma não ter enfrentado obstáculos significativos, atribuindo à fé, disciplina e perseverança a superação dos desafios. 

Entre relatórios, ensaios e sonhos ainda por cumprir, Mônica Martins segue firme, não com farda, mas com botas marcadas pela terra e a convicção de que o futuro de Angola também se cultiva.