O Ministro da Agricultura e Florestas, Isaac dos Anjos, garantiu que o início da Campanha Agrícola 2026/2027 conta com 90 mil toneladas de fertilizantes, apesar da crise de abastecimento internacional fortemente influenciada pela guerra no Médio Oriente e entre a Rússia e Ucrânia.
O governante que falava à margem da 23ª edição do programa Café CIPRA, realizada nesta quarta-feira,19, em Luanda, com o tema “A construção de estradas como alavanca à produção nacional”, avançou ainda que está prevista a chagada 27 mil toneladas no final de Setembro e outras 27 mil em Novembro, o que permitirá reforçar a quantidade de insumos para o referido período.
O responsável do sector agrícola disse que o Executivo pretende regular a cadeia de preços dos fertilizantes para resistir às pressões do mercado, afastando a política de distribuição gratuita de insumos.
No que diz respeito a oferta de sementes no mercado, o Governo prevê um cenário estável através de “acordos-quadro”, que permitem a compra antecipada da semente do ano seguinte. A medida, de acordo com o responsável, garante o planeamento e cumprimento do calendário agrícola.
Isaac dos Anjos destacou programas em curso para dinamizar a produção local, como a distribuição de plantas para a revitalização das culturas do café e do palmar, a distribuição de bovinos e pintos para repovoamento e a inseminação artificial para modernização do sector.
As iniciativas seguem igualmente na construção e reabilitação de infra-estruturas de apoio à produção, nos domínios da investigação científica, agronómico e veterinário.
Para tal, anunciou a construção de uma unidade bioveterinária acoplada a uma fábrica de vacinas, junto do Instituto de Investigação Agronómica do Huambo. A expectativa, salientou o ministro, é que a unidade comece a produzir vacinas ainda este ano, beneficiando, sobretudo, os sectores bovino, ovino, caprino e avícola.
O titular da agricultura e florestas, revelou que Angola já produz vacinas contra a doença de Newcastle para a avicultura e pretende aumentar paulatinamente a produção nacional de vacinas veterinárias.

Isaac dos Anjos, informou que o Governo tem igualmente promovido “dias de campo” para demonstrar aos produtores as tecnologias e práticas agrícolas já aplicadas em diferentes propriedades do país. Segundo o responsável, esta medida enquadra-se no plano de redução e substituição das importações pela produção nacional, com qualidade e rigor.
O gestor destacou também o trabalho desenvolvido para adequar a qualidade da produção nacional aos padrões internacionais exigidos pelos principais mercados de exportação, nomeadamente a União Europeia, a China e os países do Médio Oriente. “Estamos a tentar, mesmo atrasados, pormo-nos alinhados” disse o ministro, referindo-se a aprovação de diplomas e à adopção de boas práticas de produção que garantam a qualidade dos produtos destinados ao mercado externo.
Por outro lado, o Executivo conta com o apoio das agências das Nações Unidas, do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), do Banco Africano de Desenvolvimento e do Banco Mundial, para mobilizar recursos para apoiar a agricultura familiar e sua transformação “de autoconsumo” para uma actividade orientada para o mercado.
O Governante reconheceu o estado de degradação de várias estradas do País, factor que compromete o pleno escoamento da produção nacional. Perante este cenário, defendeu o “aproveitamento das infra-estruturas portuárias voltadas para a exportação”, devidamente articuladas com a rede viária em ambos os sentidos, tanto no escoamento do interior para os portos como na distribuição no sentido inverso, de modo a assegurar a sustentabilidade do abastecimento local.














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