Angola enfrenta um défice anual de cerca de 20 milhões de dólares no financiamento anual da resposta ao VIH/Sida, numa altura em que o País regista um aumento de novas infecções e de mortes associadas à doença, alerta a Rede Angolana de Organizações de Serviços de SIDA (ANASO).
Segundo o presidente da organização, António Coelho, o País necessita anualmente de cerca de 50 milhões de dólares por ano para o combate à epidemia. Deste valor, 60% o equivalente a 30 milhões de dólares são assegurados pelo Estado e destinam-se, sobretudo, à aquisição de medicamentos antirretrovirais e testes de diagnóstico.
Para o responsável, a aposta na aquisição de fármacos e de testes evidencia uma resposta centrada no tratamento, em detrimento da prevenção. “Infelizmente a resposta da luta contra a Sida em Angola é medicalizada e o País precisa neste momento, sobretudo, de investir em acções de prevenção”, explica.
O subfinanciamento, de acordo com António Coelho, ocorre numa altura em que o País regista um agravamento dos indicadores epidemiológicos, com o registo de cerca de 21 mil novas infecções e aproximadamente 13 mil mortes por ano associadas à doença.
Perante este cenário, o líder da ANASO alerta para a necessidade urgente de reequilibrar a estratégia nacional, privilegiando acções de prevenção para travar o avanço do vírus.
“A prevenção precisa de fundos e de apoios, já que as organizações da sociedade civil que empoderam estas acções em Angola estão, neste momento, limitadas devido ao contexto de crise internacional”, sublinha. O presidente da ANASO apela às autoridades competentes para que invistam na prevenção e cubram este défice de financiamento, de forma a garantir uma resposta sustentável e “continuar a salvar vidas”.

PR autorizou despesa de quase 30 milhões USD compra de fármacos
Em Janeiro, o Presidente da República, João Lourenço, autorizou uma despesa de 20,8 mil milhões de Kwanzas (cerca de 30 milhões de dólares) para a aquisição de medicamentos, testes rápidos, reagentes para exames de carga viral e outros meios destinados ao tratamento do VIH/Sida.
No início do mês, o Instituto Nacional de Luta Contra a Sida (INLS) lançou um leilão no Portal de Compras Públicas para a aquisição destes materiais. Entre as compras destacam-se antirretrovirais para tratamento infantil, de adultos, de pacientes renais crónicos, hepatites virais e profilaxia para crianças expostas. A lista inclui ainda medicamentos para infecções oportunistas e insumos para prevenção, além da aquisição de testes de diagnóstico rápido, reagentes de laboratório e material gastável.
Estima-se que cerca de 370 mil pessoas vivem com VIH no País. Destas, 71% conhece o seu estado serológico e 48% está em tratamento antirretroviral.

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