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Prevenção da Malária e o seu Impacto

Drº. Celestino Teixeira, Médico Epidemiologista ALIVA
23/4/2026
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A malária é uma doença endémica no nosso país, constituindo um importante problema de saúde pública, que acomete um número bastante significativo de pessoas ao nível das comunidades.

Os aspectos que vamos abordar neste artigo serão, na nossa óptica, e na óptica de alguns utilizadores do sistema nacional de saúde contactados por nós, a imagem e/ou percepção do momento em relação à situação da malária no tocante à dimensão do problema, aos efeitos das políticas de prevenção e controlo, que registaram avanços e também recuos. No entanto, e sem receio de errar, podemos afirmar que sempre existiu o risco de não haver um progresso consistente, pelo facto de haver uma tendência crescente no número de casos e uma irregularidade (aumento e redução) na tendência do número de óbitos, dificuldades na aquisição e distribuição de mosquiteiros, dificuldades na aquisição e distribuição de doses de tratamento e dificuldades na aquisição e distribuição de testes de diagnóstico rápido, menor envolvimento comunitário e deficientes conhecimentos, atitudes e práticas, constatado num estudo realizado em Angola por Vumbi C., 2016.

A malária é uma doença endémica no nosso país, constituindo um importante problema de saúde pública, que acomete um número bastante significativo de pessoas ao nível das comunidades e que é, tão-somente, a primeira causa de absentismo laboral, escolar e de morbimortalidade, tendo como principais vítimas as crianças menores de cinco anos e as mulheres grávidas. Do ponto de vista conceptual, é uma doença febril aguda causada por parasitas (Plasmodium), que se transmite pela picada da fêmea infectada do mosquito Anopheles e, no contexto epidemiológico, no mundo foram reportados 282 milhões de casos e 610 mil mortes, e em Angola o reporte foi de 7 milhões de casos e 11 mil mortes em 2024 (OMS, 2026; MINSA, Boletim Epidemiológico, 2024; GAS, Boletim n.º 1, 2022; Vumbi C., 2016).

As medidas de prevenção e controlo da malária, segundo o Programa Nacional, são essenciais para minimizar o risco de infecção e a propagação da doença nas várias regiões, requerendo uma abordagem multissectorial sempre que se pretendem obter bons resultados. Do ponto de vista da protecção individual, entre as principais medidas estão o uso de mosquiteiros tratados com insecticida de longa duração (MTILD), o uso de repelentes, a colocação de redes nas portas e janelas, e o uso de roupas com mangas compridas e calças durante os períodos de maior actividade do mosquito (amanhecer e anoitecer). Estas medidas oferecem protecção durante o sono e não só, reduzindo assim o risco de picadas.

A prevenção também engloba a componente ambiental e/ou colectiva, que consiste na pulverização residual intradomiciliar, no uso de larvicidas, na drenagem e aterro de criadouros, em pequenas obras de saneamento para eliminação de criadouros de mosquitos, na limpeza das margens dos criadouros, na modificação do fluxo de água (evitando águas paradas), no controlo da vegetação aquática, e na melhoria das moradias e das condições de trabalho. Estas medidas desempenham igualmente um papel importante no controlo da população de mosquitos.

As medidas referidas acima, associadas ao diagnóstico e tratamento precoce, assim como ao envolvimento comunitário através de campanhas de promoção da saúde, tornam as intervenções mais abrangentes e efectivas.

Do ponto de vista do impacto destas medidas de prevenção e controlo, as mesmas terão contribuído para a redução da mortalidade global nas últimas décadas, salvando milhões de vidas. O uso de MTILD reduz significativamente a transmissão quando aplicado de forma consistente por toda a comunidade, o diagnóstico precoce e o tratamento reduzem a taxa de mortalidade e limitam a fonte de infecção para os mosquitos, e a eliminação da doença foi já alcançada em países como Cabo Verde, certificado como país livre de malária em 2024.

Em conclusão, constatamos que a percepção do momento em relação ao peso da doença e aos efeitos das políticas registou avanços e recuos, existindo sempre o risco de não haver um progresso consistente. As medidas de prevenção individual e colectiva, associadas ao diagnóstico e tratamento precoce, bem como o envolvimento comunitário através de campanhas de promoção da saúde, tornam as intervenções mais abrangentes e efectivas (Valadares GMM et al., 2024; GAS, Boletim n.º 1, 2022; Vumbi C., 2016; Sousa JO, 2015).

Referências bilbiográficas:

1. Ministério da Saúde de Angola. Direcção Nacinal de Saúde Pública. Organização Mundialda Saúde. Manual de Vigilância Epidemiológica Integrada de Doenças e Resposta. 3ª edição. Luanda. 2021.

2. Ministério da Saúde de Angola. Direcção Nacinal de Saúde Pública. Departamento de Higiene e Vigilância Epidemiológica. Boletim Epidemiológico. 24ª edição. Luanda. 2024.

3. Trujillo KYC et al. CONHECIMENTOS E PRÁTICAS ASSOCIADAS À PREVENÇÃO DA MALÁRIA ENTRE MORADORES DE UMA ÁREA DE ALTO RISCO EPIDEMIOLOGICO NA AMAZONIA BRASILEIRA,  Disponível em https://www.academia.edu/download/115555586/KETTY_CARDOZOTRUJOLO_et_al_IOC_2012.pdf Acesso 09.04.2026.

4. Vumbi C. Prevenção e controlo da Malária: conhecimentos,atitudes e comportamentos da população adulta de Luanda, Angola, disponível em https://search.proquest.com/openview/83bbb8f88880e76eca69f8ab28433388/1?pq-origsite=gscholar&cbl=2026366&diss= Acesso 09.04.2026.

5. Sousa JO. USO E RETENÇÃO DE MOSQUITEIROS IMPREGNADOS E EFEITO DE AÇÃO EDUCATIVA EM MALÁRIA APÓS CINCO ANOS DE UMA INTERVENÇÃO EM UMA ÁREA DE ALTA ENDEMICIDADE NO MÉDIO RIO NEGRO, AMAZONAS. 2015. BRASIL, disponível em https://www.academia.edu/download/55711029/malaria.pdf , acesso 09.04.2026

6. Grupo Aliva Saúde (GAS). Boletim Epidemiológico Informativo nº1. 2022. Luanda. Disponível em https://alivasaude.com/boletim-epidemiologico-informativo-1/ . Acesso 01.04.2026.

7. Ministério da Saúde de Angola. Direcção Nacinal de Saúde Pública. Programa Nacional de Controlo da Malária. Reunião Anual Sub-regional Programas da Malária e parceiros. Slides. Disponível em https://pt.slideshare.net/slideshow/comprehensive-overview-of-angola-s-national-malaria-control-program-2021-2025/286558257 . Acesso 15.05.2025

8. Organização Mundial da Saúde (OMS). Dia Mundial da Malária. Motivados a acabar com a Malária: Agora podemos. Agora devemos. Disponível em https://www.who.int/campaigns/world-malaria-day/2026 . Acesso 01.04.2026

9. Organização Mundial da Saúde (OMS). Dia Mundial da Malária.  Disponível em  https://www.afro.who.int/pt/countries/angola/news/angola-celebra-o-dia-mundial-da-malaria-com-foco-no-compromisso-renovado . Acesso 01.04.2026

10. Valadares GMM et al. Malária: Uma revisão da literatura. 2024. Minas Gerais. Disponível em. A. https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/72103/50543 . Acesso 01.04.2026