Quase 75% da população angolana enfrentou insegurança alimentar moderada ou severa em 2023, o que equivale a mais de 26 milhões de pessoas, segundo dados do relatório sobre a Escala de Experiência de Insegurança Alimentar (FIES) 2020 - 2023, elaborado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).
Divulgado nesta quarta-feira, 18, o documento revela que a insegurança alimentar atingiu o ponto mais crítico em 2021, quando afectou 81,8% da população, acima dos 75,1% registados em 2020. Nos anos seguintes, verificou-se uma redução gradual, com a taxa a recuar para 79,9% em 2022 e para 74,6% em 2023, embora os níveis continuem elevados.
De acordo com os dados consultados pela Economia & Mercado (E&M), a análise geográfica revela um agravamento da situação nas zonas rurais. Em 2020, a prevalência da insegurança alimentar moderada ou severa situava-se em 73,4%, subindo para 82,2% em 2021. Após uma ligeira descida em 2022 (78,4%), o indicador voltou a aumentar em 2023, alcançando 81,1%.
Entretanto, a trajectória foi inversa nas zonas urbanas. Por exemplo, depois de atingir 81,4% em 2021, a prevalência recuou para 80,7% em 2022 e desceu de forma mais acentuada em 2023, fixando-se em 71%.
Por género, os dados indicam que, em 2023, a insegurança alimentar severa ou moderada afectou 74,5% dos homens e 74,7% das mulheres. Em 2022, as taxas situavam-se em 79,5% para os homens e 80,1% para as mulheres, enquanto em 2021 atingiram 81,4% e 82,1%, respectivamente.
Lunda-Norte lidera estatística por província
A Lunda-Norte destaca-se como a província com maior prevalência de insegurança alimentar severa ao longo do período analisado, com uma tendência de agravamento, passando de 54,7% em 2020 para 70,7% em 2023. Em contraste, o Uíge e o Kwanza-Sul registaram as menores prevalências.
Luanda, capital do País, apresentou uma redução na prevalência de insegurança alimentar severa nos últimos quatro anos. Em 2023, a prevalência situou-se em 12%, face aos 22,4% registados em 2022. Em 2021, o indicador era de 29% e, em 2020, de 18,8%.
No que diz respeito à insegurança alimentar moderada, a capital registou uma taxa de 60,5% em 2020, que desceu para 57,6% em 2021. Em 2022, houve uma ligeira subida para 58,9%, seguida de nova redução em 2023, para 50,2%.
A nível nacional, apenas cerca de um quarto dos agregados familiares manteve-se em situação de segurança alimentar ou insegurança leve em 2023 (25,4%), percentagem semelhante à observada em 2020.

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