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Soberania Digital: Angola reforça infra-estrutura digital, mas cautelas ainda persistem

André Samuel
11/6/2026
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Foto:
DR

Os alertas da consultora TIS recordam que a transformação digital exige uma governação tão robusta quanto a tecnologia que a suporta.

Entre a ambição dos decretos e a realidade das redes empresariais, persiste um espaço que só a acção concreta pode preencher. Os alertas da consultora TIS recordam que a transformação digital exige uma governação tão robusta quanto a tecnologia que a suporta.

O Livro Branco fez da cibersegurança um pilar estratégico. A criação do Conselho Nacional de Cibersegurança, presidido pelo Presidente da República, e do Centro Nacional de Cibersegurança, com autonomia operacional, mostra que o tema subiu ao topo da agenda do Estado. A peça central desta visão é o Data Center e Cloud Nacional do Governo, inaugurado em Abril de 2026. O ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, Mário Oliveira, descreveu-o como "um compromisso com a soberania digital, a modernização administrativa e a construção de um ecossistema digital robusto, resiliente e inclusivo".

Os números comprovam a urgência da infra-estrutura, segundo André Pedro, director-geral do INFOSI, o Data Center já sofreu mais de 20 mil tentativas de ataque desde Junho de 2024, data da sua implementação técnica. A partir deste momento, a infra-estrutura já estava a processar dados e, consequentemente, passou a estar exposta a tentativas de intrusão.

André Pedro falava durante o workshop Ciberlive 2025, onde assegurou que a instituição tem trabalhado para reduzir as chances de tentativas de invasão ao Data Center e fortalecer a segurança digital do País.

A soberania dos dados tornou-se o novo centro de gravidade da competitividade. A TIS alerta que "a ausência de políticas claras sobre resiliência, governação e recuperação de dados pode expor as empresas a paragens operacionais, perdas financeiras relevantes e falhas de conformidade". Willian de Oliveira, CEO da consultora, é directo: "A soberania de dados é hoje uma questão de competitividade e de resiliência operacional. Quando uma empresa não controla onde estão os seus dados e como podem ser recuperados, arrisca-se a paragens prolongadas, perda de informação estratégica e custos elevados." A complexidade agrava-se quando o tráfego digital sai do País para processamento no exterior, introduzindo latência adicional, dependência da conectividade internacional e maior vulnerabilidade a interrupções.

Leia este artigo na íntegra na edição 261 da revista Economia & Mercado, referente ao mês de Junho, já disponível nas bancas.