IFC Markets Live Quotes
Powered by
3
1
PATROCINADO

“Uma economia não se diversifica por decisão administrativa” - Ottoniel dos Santos

Victória Maviluka
23/7/2026
1
2
Foto:
DR

Governante diz que a economia diversifica-se com empresários dispostos a investir, instituições financeiras capazes de apoiar projectos viáveis e mercados que recompensam a produtividade.

O secretário de Estado para as Finanças e Tesouro, Ottoniel dos Santos, afirmou, nesta semana, em Luanda, que as políticas públicas tornam-se mais eficazes quando são formuladas com conhecimento das condições reais em que as empresas operam, e que “uma economia não se diversifica por decisão administrativa”.

Ottoniel dos Santos, que intervinha no IX Business Networking, promovido pela Câmara de Comércio e Indústria Portugal-Angola (CCIPA), referiu que uma economia diversifica-se quando existem empresários dispostos a investir, instituições financeiras capazes de apoiar projectos viáveis, trabalhadores qualificados e mercados que recompensam a produtividade.

Ao Estado angolano, referiu, cabe criar condições, remover obstáculos, estabelecer regras claras, assegurar a estabilidade necessária ao desenvolvimento da actividade económica. Garantiu engajamento para tornar o ambiente de negócios mais favorável, melhorar a gestão das finanças públicas e reforçar a transparência, modernizar a administração pública e aplicar o espaço reservado à iniciativa privada. 

Para o governante, a nova etapa da cooperação económica entre Angola e Portugal deve privilegiar o investimento produtivo, promover mais parcerias que criem capacidade instalada em Angola, incorporem conhecimento, formem quadros nacionais, desenvolvam fornecedores locais e contribuam para aumentar a produção e as exportações. 

Especificou que existem oportunidades para os empresários dos dois países explorarem sectores como a agricultura, agroindústria, pescas, indústria transformadora, energias renováveis, turismo, saúde, logística, tecnologias de informação e serviços financeiros. 

“Portugal possui experiência empresarial, conhecimento técnico e capacidade de inovação em muitas destas áreas. Angola dispõe de recursos e de um mercado com grande potencial, de uma população jovem e de uma localização estratégica no continente africano. A combinação destas vantagens pode gerar projectos relevantes para os dois países”, elucidou. 

Segundo Ottoniel dos Santos, é importante que as empresas portuguesas olhem para Angola não apenas como um mercado de destino, mas como uma plataforma de produção, de criação de valor e de acesso aos mercados africanos. 

Do mesmo modo, continuou, importa criar condições para que mais empresas angolanas encontrem em Portugal oportunidades de crescimento, parcerias, conhecimento e acesso ao espaço económico europeu. 

“Queremos uma relação empresarial nos dois sentidos assente no benefício mútuo e na complementaridade das nossas economias. Neste processo, as pequenas e médias empresas merecem uma atenção particular. São elas que asseguram uma parte significativa do emprego, introduzem soluções inovadoras e estabelecem ligações mais próximas com as economias locais”, observou. 

Lamentou, entretanto, que as PME sejam, também, as que enfrentam maiores dificuldades no acesso ao financiamento, à tecnologia, à informação e aos mercados, pelo que apelou que a cooperação empresarial entre Angola e Portugal contribua para aproximar estas empresas, promover parcerias, facilitar a partilha de experiência e integrá-las em cadeias de valor mais amplas.

“As relações entre países tornam-se mais fortes quando as instituições cooperam, mas tornam-se verdadeiramente duradouras quando as empresas investem, as pessoas trabalham em conjunto e os resultados são partilhados”, afirmou o governante.

Não obstante reconhecer os avanços no ambiente de negócios em Angola, o secretário de Estado para as Finanças e Tesouro admitiu existirem ainda alguns constrangimentos, como  o acesso ao financiamento, a burocracia, a logística, a disponibilidade de divisas, a previsibilidade de alguns procedimentos.

“Não devemos ignorar estas preocupações nem respondê-las apenas com declarações de intenção. Devemos escutá-las, compreendê-las e trabalhar de forma consistente para encontrar soluções que permitam alterar o potencial da economia angolana. É também por essa razão que valorizamos o diálogo com as organizações empresariais e com os investidores”, assegurou.

O IX Business Networking contou com a participação da Associação Empresarial de Portugal (AEP) e da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP). Estiveram presentes no evento realizado na véspera da FILDA 2026 o embaixador de Portugal em Angola, Nuno Mathias, o secretário de Estado da Economia de Portugal, João Rui Ferreira, e outras individualidades.