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Vem aí a Agritech Show Luanda, feira de dimensão regional com foco em impulsionar o agronegócio

Victória Maviluka
16/4/2026
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Foto:
DR

Além da componente expositiva, a agenda do evento reserva a realização de workshops, onde serão abordados temas como investimento e financiamento em projectos agropecuários.

Agritech Show Luanda. É assim apelidada a mais nova feira de negócios no País, um evento de iniciativa privada, idealizado para se transformar numa das maiores exposições do sector agropecuário da África Austral, que tem a edição de estreia aprazada para 1 a 4 de Outubro próximo na província de Icolo e Bengo, concretamente na Fazenda da Quiminha, do Grupo Omatapalo.

O acto de lançamento da feira aconteceu nesta terça-feira, 14, em Luanda, no evento denominado Angola Agri Talks, durante o qual Paulo Fardilha, coordenador do Agritech Show Luanda, explicou que a feira vai juntar importantes stakhoolder do agronegócio no país a além fronteiras, que irão fazer diversas demonstrações de culturas, máquinas, equipamentos e tecnologias inovadoras.

Além desta componente expositiva, a agenda do evento reserva a realização de conferências, debates, reuniões sectoriais, workshops, onde serão abordados temas como investimento e financiamento em projectos agropecuários. O objectivo, fez saber, é a “necessária diversificação económica” em Angola, libertando o País da dependência das receitas do petróleo e de outros mineiros. 

Sugeriu a promoção de políticas de apoio à realização de infra-estruturas como estradas, redes logísticas, barragens com canais de rega. Todas essas infra-estruturas, realçou Paulo Fardilha, são determinantes para o surgimento de um núcleo de empresas de média dimensão, que possibilite o aumento da produção e o surgimento  das agroindústrias.

“Criando uma rede de médias empresas, começa a haver produção, as agroindústrias começam a aparecer, começam a aparecer as cadeias de escoamento dos produtos, logística, estruturação de mercados e exportação”, perspectivou sobre a plataforma que visa promover encontros B2B e realização de diversos serviços de networking. 

Mais do que uma feira, observou, pretende-se que a Agritech Show Luanda seja uma plataforma estruturada para o desenvolvimento do agronegócio, envolvendo todos os sectores do ecossistema: “É esse o nosso objectivo: que um potencial investidor que venha a visitar a feira saia dali com os contactos feitos para começar a pensar no seu projecto”.

Paulo Fardilha, coordenador do Agritech Show Luanda

A organização espera mobilizar para a Fazenda da Quiminha, numa zona de 200 hectares, cerca de 150 expositores oriundos de diversos cantos do globo. À revista Economia & Mercado, Paulo Fardilha adiantou que já há operadores confirmados da África do Sul, e contactos mantidos com empresas do sector na Itália, França, Portugal, Espanha, Brasil e Itália.

“Estamos muito focados na captação de investimento no agronegócio aqui em Angola, quer investimento de fora, quer investimento privado interno. A GlobalWide, empresa que organiza a feira, tem o propósito de ajudar esses investidores a desenvolverem os seus projectos agrícolas.  Queremos criar uma plataforma de networking com todos os stakeholders ligados ao agronegócio, para dar conforto aos investidores; uma ligação às cadeias logísticas e escoamento para mercados internos, regionais e internacionais”, descreveu.

Já Rui Almeida, da CONSULAI, consultora especializada em agribusiness e parceira da GlobalWide na organização do evento, traçou, durante o Angola Agri Talks, que serviu de lançamento da feira, três objectivos essenciais os quais a Agritech Show Luanda vai perseguir: criação de valor,  inovação e atracção de investimentos.

E explicou-se: “Criar valor não só nos elos da cadeia, mas criar valor também na proximidade ao mercado; quando se fala em inovação, não se deve pensar só em tecnologia, mas também em inovação nas boas práticas agrícolas; importa que o investimento seja feito em todos os elos da cadeia - produção, logística, transformação e retalho. Portanto, o que vamos ter na feira vai ser um espaço de diálogo, de demonstração, mas vai ser também um espaço de decisão”.

Por sua vez, Joaquim Benvindo, engenheiro agrónomo e director de Produção da Fazenda Quiminha, do Grupo Omatapalo, assegurou que o local escolhido para acolher a Agritch Show Luanda tem as condições necessárias para receber as dezenas de expositores:  “Estamos muito perto de Luanda. Temos condições instaladas: os pivôs, as estufas e a área adjacente para o evento”.

Transformar potencial em produtividade

O acto de apresentação da Agritch Show Luanda contou com uma prelecção apresentada por Maurício Brito e Suélia Ferreira, ambos da PwC, que, discorrendo sobre o tema ‘Os desafios da Agricultura em Angola’, destacaram o potencial do continente para o desenvolvimento do sector e os passos necessários para transformar estas vantagens em resultados.

“África tem um potencial muito grande. Estamos a falar de 400 milhões de hectares de terra só na savana da Guiné, com duplas colheitas, com terras férteis, com uma mão-de-obra de baixo custo. Tudo aquilo que o Brasil passou 50 anos atrás, África pode começar a fazer”, ansiou Maurício Brito. 

Numa abordagem mais virada para Angola, Suélia Ferreira apontou para três elementos fundamentais que o País possui para desenvolver o sector agrícola: “Terras disponíveis, condições climáticas e base demográfica muito jovem. Mas o grande desafio que Angola enfrenta é transformar este potencial em produtividade, rendimento e competitividade”.

O Angola Agri Talks contou com duas mesas-redondas, com os temas ‘Estratégias e oportunidades para a agricultura em Angola’ e ‘Investimento e financiamento da Agricultura em Angola’. O acto de lançamento da Agritech Sow Luanda foi preenchido também com a prelecção sobre ‘Climatologia de Angola - a agrometereologia’, durante a qual o chefe do Departamento de Investigação Aplicada à Meteorologia e Clima do Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INAMET), Lameira Gaspar, falou da importância dos dados meteorológicos para a tomada de decisão por parte dos operadores do sector agropecuário.