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AFIS 2026: José de Lima Massano defende integração dos mercados africanos para cobrir gap de financiamento em infra-estruturas

Adnardo Barros
3/11/2026
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Foto:
Carlos Aguiar e DR

Ao abordar os estrangulamentos ao crescimento, a análise voltou-se para a disparidade entre a liquidez dos bancos e a falta de crédito à produção.

O aprofundamento urgente da integração dos mercados de capitais e dos sistemas de pagamento continentais surge como o vector decisivo para cobrir o défice de financiamento em infra-estruturas e acelerar a transformação económica de África, defendeu o Ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano.

Ao discursar na abertura da 6.ª edição da Cimeira da Indústria Financeira Africana (Africa Financial Summit – AFIS 2026), nesta terça-feira, em Luanda, o governante sublinhou a necessidade premente de converter a capacidade de mobilização de capital em investimento produtivo, emprego e melhores condições de vida para as populações africanas.

O evento, que decorre sob o tema da transformação da mobilização financeira em crescimento económico efectivo, é co-organizado pelo Jeune Afrique Media Group e pela International Finance Corporation (IFC). A escolha de Luanda assinala um marco inédito, sendo a primeira vez que o AFIS se realiza na África Austral e num país de língua oficial portuguesa.

Desafios globais e vantagens estratégicas do continente

A intervenção enquadrou os trabalhos da cimeira num contexto global marcado por incertezas geopolíticas, volatilidade financeira, fragmentação comercial, transições energéticas complexas e rápidas transformações tecnológicas.

Apesar deste cenário, destacou-se que África entra nesta nova fase da economia mundial com vantagens estratégicas significativas, alavancadas por uma população jovem, pela abundância de recursos naturais estratégicos para as cadeias globais de valor e pela consolidação da Zona de Comércio Livre Continental Africana (AfCFTA).

Alertou-se, contudo, que a conversão deste potencial em desenvolvimento sustentável, inclusivo e soberano depende da capacidade de atrair investimento, transformar a poupança em capacidade produtiva, apoiar o empreendedorismo e desenvolver infra-estruturas. Esta transição exige políticas económicas assertivas aliadas a sistemas financeiros profundos, eficientes e de elevada qualidade.

O contraste entre receitas bancárias e escassez de crédito

A intervenção colocou em evidência o paradoxo do sector bancário africano. Em 2024, as receitas do sector ultrapassaram os 100 mil milhões de dólares no continente, registando níveis de rentabilidade comparáveis aos dos principais mercados emergentes. No entanto, o crédito concedido ao sector privado permanece limitado na maioria das economias.

Sectores vitais como a agricultura e a indústria transformadora, assim como as pequenas e médias empresas (PME), continuam subfinanciados. A este estrangulamento soma-se a dimensão da economia informal, que absorve cerca de 85% do emprego em África, restringindo a arrecadação fiscal e limitando o acesso dos cidadãos e empresas às garantias formais exigidas pelo sistema bancário convencional.

Como solução para este obstáculo, José de Lima Massano defendeu o reforço da digitalização e a adopção responsável de inteligência artificial. Estas tecnologias foram apontadas como instrumentos decisivos para reduzir custos operacionais, criar novos modelos de avaliação de risco e democratizar o acesso aos serviços financeiros para os segmentos da população habitualmente excluídos.