O investimento em África não pode congelar a cada ciclo eleitoral, alertou a Ministra das Finanças, Vera Daves de Sousa, ao defender a criação de instituições sólidas e quadros legais estáveis capazes de blindar o capital privado da incerteza política e garantir a continuidade dos contratos independentemente das urnas.
Durante a sua intervenção num painel sobre o financiamento de infra-estruturas estratégicas, a governante sublinhou que a estabilidade das regras do jogo é a única garantia capaz de transmitir confiança a quem pretende investir a longo prazo.
"É preciso enfrentarmos o 'elefante na sala': o facto de, em alguns contextos eleitorais no continente, quase pararmos de respirar e os investimentos não acontecerem à espera de ver o que vai acontecer", alertou a ministra.
Vera Daves de Sousa enfatizou que os governos africanos têm o dever de garantir que, independentemente da alternância política, as instituições continuem a funcionar e a capacidade de cumprimento das obrigações se mantenha inalterada.
Infraestruturas e integração continental
A titular da pasta das Finanças destacou o empenho do Executivo angolano em encontrar caminhos para viabilizar projectos de grande dimensão, com foco particular em infra-estruturas transfronteiriças, como ligações rodoviárias, barragens e redes de transmissão de energia.
Para a responsável, a concretização de grandes objectivos regionais, como a Zona de Comércio Livre Continental Africana, exige soluções financeiras estruturadas e mutuamente vantajosas entre o setor público e privado.
"Existem operações grandes com capacidade para transformar o sonho da integração regional e do comércio transfronteiriço numa realidade. É necessário encontrar os fundamentais do negócio e fazer acontecer", referiu.
Para além da estabilidade regulatória, a ministra fez um apelo ao patriotismo económico, incentivando os detentores de capital em África a demonstrar visão própria e compromisso com o desenvolvimento dos seus países.
A fechar, Vera Daves de Sousa deixou também uma mensagem direta às instituições financeiras de crédito e de garantias: "Não arranjem tantas desculpas. Cumpram a sua missão e dialoguem connosco na identificação de projetos bancáveis, porque por mais que sejamos prósperos individualmente, tudo terá limite se o continente não prosperar em bloco".











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