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Líder da IFC exige “revolução cultural” na função pública: “Os funcionários têm de compreender que estão ali para servir”

Adnardo Barros
3/11/2026
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Foto:
Arquivo e DR

Makhtar Diop sublinhou que a criação de postos de trabalho para a jovem geração (Geração Z) deve figurar no topo das prioridades dos governos e do sector financeiro.

O sector público em vários países africanos precisa de passar por uma profunda “revolução cultural” e abandonar a mentalidade burocrática para impulsionar o tecido empresarial. A posição foi defendida em Luanda por Makhtar Diop, Director-Executivo da International Finance Corporation (IFC), o braço do Grupo Banco Mundial vocacionado para o financiamento do sector privado.

Durante a sua intervenção no AFIS 2026, a decorrer na capital do País, o responsável da IFC apelou a uma viragem de paradigma na relação entre os Estados e o empresariado, defendendo que os governos devem assumir-se como facilitadores do crescimento económico

“A  administração nos nossos países [...] ainda não considera que está aqui para servir o sector privado em muitos países. [...] O sentimento geral do sector privado em muitos países é que ainda se tem de lutar para fazer os funcionários públicos compreenderem que estão ali para servir o país e para criar empregos.

Portanto, há uma revolução cultural que precisa de ser feita”, declarou Makhtar Diop.

A urgência de criar postos de trabalho para a Geração Z

A par do alerta à burocracia estatal, o líder da IFC destacou o compromisso contínuo da instituição financeira com o continente e elogiou a hospitalidade do Executivo angolano. Makhtar Diop sublinhou que a criação de postos de trabalho para a jovem geração (Geração Z) deve figurar no topo das prioridades dos governos e do sector financeiro, sob pena de se agravar a instabilidade social provocada pela inflação e pela incerteza geopolítica global.

Além da barreira burocrática, o responsável identificou os cinco principais estrangulamentos que condicionam a competitividade empresarial em África:  As empresas africanas encontram-se sobre-endividadas e necessitam de capital próprio de longo prazo para crescer com sustentabilidade.

Progressos em Angola e aposta no agronegócio

Em contraste com o cenário geral do continente, Makhtar Diop enalteceu os progressos recentes registados em Angola, destacando a abertura e o empenho do Governo em criar soluções concretas para o ecossistema empresarial privado.

Para ilustrar o compromisso prático da organização com o país, o Director-Executivo anunciou que a sua visita a Luanda culmina com a assinatura de dois importantes projectos no sector agrícola com grandes empresas locais, focados no fomento da produção nacional e na geração de emprego.

O responsável reforçou ainda que a estratégia global da IFC até 2030 mantém África no centro das atenções, visando intensificar a mobilização de capital privado para que cada dólar investido pela instituição consiga atrair mais de três dólares de investidores privados.

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