O continente africano concentra seis dos dez países mais afectados por crises humanitárias no mundo, nomeadamente Sudão, Sudão do Sul, Etiópia, República Democrática do Congo, Mali e Burkina Faso, segundo a Lista de Vigilância de Emergência 2026 do Comité Internacional de Resgate (IRC, na sigla em inglês).
Entre os analisados, Sudão volta a ser classificado como o país com a crise humanitária mais grave do mundo, liderando a Lista de Vigilância do IRC pelo terceiro ano consecutivo.
De acordo com o relatório, este cenário evidencia a crescente exposição do continente a conflitos armados e decorre em simultâneo com fenómenos climáticos extremos cada vez mais frequentes, como secas e cheias, agravando a insegurança alimentar e o deslocamento populacional.
Além do território palestino, de Mianmar, do Haiti e Líbano, o IRC identifica igualmente outros países sob grave pressão humanitária, incluindo Afeganistão, Camarões, Chade, Colômbia, Níger, Nigéria, Somália, Síria, Ucrânia e Iémen.
Actualmente, segundo o documento do IRC, estima-se que 239 milhões de pessoas necessitem de assistência humanitária em todo o mundo. A organização alerta que, sem uma acção global urgente e coordenada, as crises combinadas nestes países continuarão a se agravar, com impactos que ultrapassam fronteiras nacionais e colocam sérios desafios à estabilidade regional e global.
Cortes no financiamento
Em 2025, a organização foi obrigada a reduzir o seu orçamento em cerca de 400 milhões de dólares num único ano, o maior corte da sua história. Apesar de os cortes no financiamento dos Estados Unidos terem representado a maior parte do défice, como já tinha sido notificado pela revista Economia & Mercado (E&M), os outros governos também diminuíram o apoio, contribuindo para um défice global de ajuda que afectou operações em várias regiões.
Reflectindo sobre o impacto destes cortes, o presidente e director executivo do IRC, David Miliband, afirmou que cerca de dois milhões de pessoas perderam o acesso a serviços essenciais e que seis mil funcionários foram dispensados por falta de financiamento.
Citado pela Business Insider, o responsável destacou ainda o empenho dos 16 mil trabalhadores que permanecem na organização, sublinhando que continuam a prestar serviços em contextos extremamente difíceis, a mobilizar novos recursos e a promover inovações para responder às crises actuais.

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