O fenómeno, que já provocou a morte de mais de 31 pessoas em Madagáscar, já se encontra no Canal de Moçambique e poderá afectar a partir desta sexta-feira (13), as regiões centro e sul de Moçambique, sobretudo, a província de Inhambane, considerada o ponto central de impacto, e depois estender-se às províncias de Sofala e Gaza.
Segundo o Executivo moçambicano, mais de um milhão de pessoas poderão ser afectadas pela passagem da tempestade tropical Gezani, agravando a crise humanitária, visto que o país ainda se encontra debaixo das cheias e inundações que afectam mais de 725 mil pessoas.
Falando durante uma visita à Sala de Previsão e Monitoria Hidrológica, o ministro moçambicano das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Fernando Rafael, lembrou que o Moçambique ainda regista algumas bacias hidrográficas em estado de alerta, tornando urgente que as populações estejam devidamente informadas sobre o potencial risco associado à ocorrência de um ciclone.
“Espera-se também um impacto de mais de um milhão de pessoas que vivem nessa zona costeira e vai impactar ainda mais as nossas infra-estruturas, como escolas, hospitais”, disse o governante, apelando igualmente às autoridades para que se mantenham em prontidão, uma vez que o país se mantém em estado de Alerta Vermelho.
“O regresso das famílias às suas casas deve ser de forma cautelosa e continuem a avaliar e olhar toda a informação publicada pelas autoridades governamentais”, afirmou, lembrando que o mês de Fevereiro corresponde ao pico da época chuvosa e ciclónica, iniciada em Outubro de 2025 e que deverá prolongar-se até Abril próximo, facto que justifica a manutenção do regime de alerta em todo o país.
Mais apelos à população
Face ao risco iminente, o Governo apela à população para que permaneça nos centros de acomodação, mesmo que haja aparente melhoria das condições meteorológicas, sublinhando que “o regresso prematuro às residências poderá colocar vidas em risco e comprometer os esforços já desenvolvidos na gestão da emergência”.
De acordo com o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), decorre neste momento a identificação de infra-estruturas públicas, particularmente, escolas com maior capacidade de resistência estrutural, para acolher temporariamente a população em zonas de maior vulnerabilidade.
Moçambique está em plena época chuvosa, que iniciou em Outubro passado e deverá terminar em finais de Março deste ano. Contudo, este período tem sido marcado por alertas de chuvas e ventos fortes, principalmente nas zonas centro e sul do país, com as autoridades a activarem acções de antecipação às cheias e inundações naquelas regiões.
O país é considerado um dos mais severamente atingidos pelas alterações climáticas, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais. Nas últimas chuvas, entre 2024-25, Moçambique foi atingido pelos ciclones Chido, Dikeledi e Jude que causaram a morte de pelo menos 313 pessoas, feriram 1255 e afectaram mais de 1,8 milhão.
Dados mais recentes do INGD, que compreendem o período de 09 de Janeiro a 10 de Fevereiro, apontam que cerca de 70 mil pessoas continuam em centros de acomodação devido às cheias e inundações que afectam quase todo o território nacional.

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