Segundo a empresa pública de radiodifusão alemã, com sede em Bonn e Berlim, os sul-africanos acusam inclusive a Polônia de “pôr em perigo a vida" do Presidente Sir Ramaphosa.
Citando a Lusa, o Chefe de Estado sul-africano, que liderou a missão de paz para a Ucrânia e a Russia composta pelos Presidentes da Comores, Zâmbia, Congo Brazzaville, Senegal e representantes do Egipto, viajou de comboio para Kiev sem os agentes destacados para o asseguramento uma vez que estes foram impedidos de "desembarcar do avião em Varsóvia”.
“Os problemas da missão africana de paz, no entanto, começaram antes de sua chegada a Kiev, quando os jornalistas sul-africanos e os 120 agentes de segurança mobilizados por Ramaphosa para a visita não conseguiram desembarcar do seu avião ao aterrissar em Varsóvia”, lê-se na notícia.
Por sua vez, o governo da Polônia explicou que os agentes sul-africanos não tinham as licenças necessárias para as armas que portavam, razão pela qual foram impedidos de desembarcar e proteger o Presidente sul-africano.
Citados pela DW, os jornalistas sul-africanos referiram também o referido avião foi obrigado a alterar a rota por não ter licenças para entrar no espaço aéreo da Itália, e como da Hungria.
“Depois de mais de 24 horas de espera no interior do avião, os jornalistas e os demais passageiros conseguiram finalmente desembarcar e descansar em um hotel, antes de voltarem ao avião e regressarem à África do Sul sem terem chegado a Kiev a tempo nem acompanhado Ramaphosa a São Petersburgo devido a problemas administrativos”, pode-se ler.

Para alguns observadores, o Presidente Ramaphosa usou a missão de mediação para a paz para melhorar sua imagem depois que os Estados Unidos acusaram a África do Sul no último mês de maio de enviar secretamente armas para a Rússia.
Porém, consideram, a viagem distancia ainda mais a Pretória de Kiev além de abrir uma nova tensão diplomática com a Polônia.
Zelensky “irritado”
O Presidente da Ucrânia disse numa conferência de imprensa que a aspiração da missão africana de facilitar as negociações para a paz sem exigir a retirada da Rússia do seu território “estava fadada ao fracasso”.
Na conferência de imprensa conjunta que teve lugar na capital ucraniana, em Kiev, no final da semana passada, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, "deixou claro" que a aspiração da missão de facilitar as negociações sem exigir a retirada da Rússia estava "fadada ao fracasso".
"Hoje, durante nossa reunião, mais uma vez deixei claro que permitir qualquer negociação com a Rússia agora, quando os ocupantes estão em nosso território, significa congelar a guerra, congelar a dor e o sofrimento”, declarou o Chefe de Estado ucraniano.
De acordo com a DW, Zelensky terá se “irritado” várias vezes durante a exposição dos líderes africanos manifestando-se através “semblante impaciente e por vezes aborrecido”, chegando mesmo a repreender pela linguagem com que se referiram à guerra.
"Meus colegas seguem constantemente chamando esta guerra de 'crise'. E eles têm o direito de fazê-lo, mas isso significa que avaliamos a situação de maneira diferente. Não é uma crise e não é uma ameaça, é uma guerra cujas consequências são uma série de grandes crises”, salientou, mencionado na notícia.
A missão de paz africana na Ucrânia, chefiada pelo presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, terminou no sábado (17.06) em São Petersburgo, depois de ter passado na véspera em Kiev.














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