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PATROCINADO

Estudos económicos e sociais juntam CEIC e E&M em “parceria estratégica”

Victória Maviluka
21/2/2026
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Foto:
Carlos Aguiar

Signatários estão dispostos a alargar acordo para realizações de conferências, com finalidade de debater temas que, ao nível da academia e da sociedade, se revistam de grande relevância.

O Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola (CEIC-UCAN) e a Revista Economia & Mercado assinaram, esta sexta-feira, 20, em Luanda, uma parceria, com o estudo ‘Cenários de Crescimento da Economia Angolana até 2030 e Impactos sobre o Emprego e a Pobreza’, agregado à edição de Fevereiro da publicação, a baptizar o acordo.

Alves da Rocha, director do CEIC, assinalou, quando procedia à apresentação do protocolo, que se trata da efectivação de um projecto há muito prespectivado: “É uma parceria estratégica que já andámos à procura dela há muito tempo. Por razões várias, ela não se chegou a concretizar provavelmente no tempo em que se deveria ter concretizado. Mas, como se costuma dizer, ‘mais vale tarde do que nunca’”.
Na cerimónia, decorrida nas instalações da UCAN, no Palanca, Nuno Fernandes, PCE do Grupo Executive, detentor da Revista E&M através da Edicenter Publicações, recordou a passagem de Alves da Rocha como o primeiro Editor da revista. Confidenciou sobre a pretensão do docente de ver a publicação de periodicidade mensal reflectir análises académicas.

“Quis o destino que a revista e seus produtores e editores voltassem a encontrar”, realçou, destacando o facto de, ao longo dos seus 25 anos, a Economia & Mercado ter cultivado relações com especialistas, alguns dos quais académicos, das áreas de Economia, reflectidas em artigos de opinião ou sustentadas em trabalhos de fundo assinados por jornalistas da revista.

Nuno Fernandes recorreu à capacidade de alcance da publicação, lida em dezenas de países de África, Europa, Américas do Norte e Sul, para sublinhar que fazer da E&M um veículo de divulgação dos estudos do CEIC é uma forma de democratizar a distribuição de “tão valioso contributo” para o conhecimento científico da realidade socioeconómica de Angola.

Adiantou que, em breve, o grupo que dirige vai proceder ao lançamento de um novo site, para quem se tratará de um portal “muito mais interactivo”, com a revista e os seus conteúdos a conhecerem maior projecção e interacção com os leitores, o que, segundo o gestor, vai permitir “aumentar, em grande escala, o universo de leitura”.

Em reacção, o director do Centro de Estudos e Investigação Científica da UCAN descreveu a parceria como de “enorme importância e validade”, que permitirá que os estudos desenvolvidos pelo CEIC saiam das estritas paredes da instituição académica e rompam fronteiras.

“Reconheço a nossa fraca capacidade de difundir o conhecimento que produzimos através dos nossos estudos. Lançamos vários relatórios, vários estudos, e eles ficam confinados às paredes da Universidade Católica, o que, evidentemente, é mau para aquilo que a gente pretende, que é multiplicar o conhecimento”, salientou Alves da Rocha.

Revelou que, além da divulgação de relatórios, a parceria com a Revista Economia & Mercado abrange a realização de eventos de reflexão: “Temos outros desafios próximos sobre os quais estamos a trabalhar e que têm a ver com a realização de algumas conferências conjuntas e com a parceria de algumas instituições do Governo”.

Vice-Reitor para a Investigação Científica e Extensão Universitária da UCAN, Padre Doutor Jerónimo Cahinga

Um “contributo patriótico”

Ao proferir o discurso de abertura, o Vice-Reitor para a Investigação Científica e Extensão Universitária da UCAN, Padre Doutor Jerónimo Cahinga, retratou o estudo ‘Cenários de Crescimento da Economia Angolana até 2030 e Impactos sobre o Emprego e a Pobreza’ como um “contributo patriótico” no momento em que Angola celebra ainda os seus 50 anos da Independência Nacional.

Ao olhar para o horizonte 2030, observou o prelado católico, o CEIC cumpre a sua missão de “traduzir dados em esperança, e rigor científico em políticas públicas”. Disse que os cenários apresentados na pesquisa tocam no centro dos desafios do País.

“O emprego como garante da dignidade da nossa vida; a erradicação da pobreza como imperativo moral e condição para a estabilidade social; o crescimento sustentável que deve ser inclusivo e menos dependente de factores externos”, ressaltou o Padre Jerónimo Cahinga.

Director da Economia & Mercado, Sebastião Vemba

A edição do encarte

Sebastião Vemba, director da Economia & Mercado, apresentou aos presentes no lançamento do estudo, entre os quais o director-geral da Edicenter, Paulo Gomes, os temas de destaque da edição de Fevereiro de 2025 da publicação, à qual a pesquisa do Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola vem agregado, já à luz da parceria acabada de ser assinada.

“Gostava de destacar que, nesta edição de Fevereiro, trazemos como tema central os Fertilizantes. (...) E o desafio que apresentamos é: Como é que o País vai garantir a segurança alimentar sem investir numa indústria de fertilizantes forte?”, reportou o jornalista, convidando, oportunamente, os presentes à leitura da edição 257 revista, já disponível nas bancas.

Sebastião Vemba avançou que o tema sobre os fertilizantes vem a propósito da VIII edição da Conferência Economia & Mercado sobre a Agricultura, a acontecer no dia 24 de Fevereiro, na capital angolana, em parceria com o Ministério da Agricultura e Florestas.

Teurio Marcelo, um dos investigadores do estudo

O que traz o estudo?

Na pesquisa ‘Cenários de Crescimento da Economia Angolana até 2030 e Impactos sobre o Emprego e a Pobreza’, os investigadores do CEIC – Alves da Rocha, Francisco Paulo, Regina Santos e Teurio Marcelo – fazem uma incursão sobre o actual contexto global, marcado por guerra tarifária e proteccionismo, fragmentação do comércio mundial, transição energética e menor previsibilidade do investimento.

À luz destes cenários, o estudo alerta que, com uma economia dependente do petróleo, Angola está vulnerável a choques externos e a riscos. 

A investigação refere que, actualmente, a economia angolana está a observar um crescimento moderado, e que, ao caminhar a este ritmo, o que se projecta é que, até 2030, os níveis de pobreza se fixem nos 34%, afectando 14,196 milhões de pessoas.

Num cenário/hipótese mais optmista, assente, no entanto, num crescimento acelerado e num PIB nos 8,5% ao ano, o estudo mostra que, em quatro anos, o País pode alcançar a cifra de 5,513 milhões (13,2%) de pessoas pobres.

“Crescimento moderado não gera ruptura”, avisam os investigadores do CEIC, que prevêem um crescimento do PIB para este ano de 2,1%, para 2027 (2,7%), 2028 (3,5%), 2029 (3,3%), 2030 apenas de 3,5%, muito longe dos números desejáveis para redução significativa da pobreza.

A pesquisa afirma que o futuro do crescimento de Angola está no sector não-petrolífero, e que reduzir a pobreza exige tempo e políticas estruturais. Por isso, apresenta três recomendações: 1) Diversificação e PME (agricultura, pescas, indústria, logística), 2) Descentralização e infra-estruturas (interior vs litoral, autarquias, estradas secundárias e 3) Educação e produtividade (capital humano como saída estrutural da pobreza).

Participantes da cerimónia de lançamento da pesquisa pousam para a foto de família

Estudo sustentado, mas…

Alves da Rocha, director do Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola, realça que o estudo, apresentado na cerimónia por Teurio Marcelo, traz previsões globais que atentam a todas as variáveis de um Sistema Económico. No entanto, o docente aproveitou o momento para fazer um desabafo sobre o retorno das pesquisas do CEIC junto de alguns corredores.

“O sabor que nos fica da forma como estes trabalhos são utilizados é um sabor amargo. E é um sabor amargo porque, ainda que apresentemos cenários do nosso ponto de vista razoavelmente bem construídos, ainda que a gente apresente soluções de políticas públicas, o que vai prevalecer sempre são as opiniões estrangeiras, e são as opiniões do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial”, atira.