África perde, anualmente, cerca de 150 biliões de dólares por conta de práticas comerciais fraudulentas, um rombo financeiro que ameaça comprometer o desenvolvimento do continente, refere o relatório recentemente divulgado pela Global Financial Integrity (GFI).
Sob o título ‘Fluxos Financeiros Ilícitos relacionados com o Comércio em África, 2013-2022’, o documento descreve estes desvios como uma "hemorragia" sistemática de capital que deixou o continente como credor líquido do resto do mundo.
O relatório, citado pelo jornal nigeriano The National, observa que os resultados do estudo demonstram que a escala desses fluxos financeiros ilícitos (FFI) é agora tão vasta que rivaliza com o montante total de ajuda externa e investimento que entra no continente em conjunto.
Especifica que a crise atingiu um novo pico em 2022, quando a “lacuna de valor” total do comércio — a discrepância entre o que os países africanos declaram como exportações e importações em comparação com o que seus parceiros globais registam — disparou para um recorde histórico de 152,9 biliões de dólares.
“Nenhum país da região parece ter feito grandes progressos para a redução das disparidades de valor comercial durante o período”, diz a pesquisa, indicando que o problema está a tornar-se mais consistente, apesar das promessas internacionais de combater a corrupção.
Em relação à fuga de capitais, explica o relatório, destaque para a “falsificação de facturas comerciais”, uma prática em que empresas e indivíduos subestimam deliberadamente o valor das mercadorias nas facturas para movimentar dinheiro ilegalmente através das fronteiras.
Essa tática é usada para sonegar impostos, lavar dinheiro ou burlar os controlos de capital, denuncia a Global Financial Integrity no seu relatório, observando que commodities de alto valor, como petróleo, ouro e diamantes, são particularmente vulneráveis devido à “falta de transparência nos preços e aos desequilíbrios de poder entre os exportadores africanos e os compradores multinacionais”.
A pesquisa, segundo o The National consultado pela revista E&M, especifica, por exemplo, que 88,6 mil milhões de dólares que saem anualmente do continente de forma ilegal equivalem aproximadamente a todo o orçamento colectivo de saúde de África.
“Combater os fluxos financeiros ilícitos é uma questão de sobrevivência para o desenvolvimento de África”, porquanto cada dólar desviado da economia é um dinheiro que não pode ser usado para serviços públicos, considera o documento.
Dados da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento citados no estudo mostraram que as nações africanas afectadas por altos fluxos ilícitos gastam, em média, 25% menos em Saúde e impressionantes 58% menos em Educação do que seus pares.

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