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AGT reforçada com procurador para investigar crimes de natureza tributária

Victória Maviluka
19/12/2025
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Foto:
DR

Alterações introduzidas pelo novo estatuto da AGT visam, entre outros objectivos, responder às recomendações do GAFI sobre intervenção mais activa na investigação de crimes tributários.

Já está em funções um procurador do Ministério Público junto à Administração Geral Tributária (AGT), instituído à luz do novo estatuto (em vigor desde Abril deste ano) do órgão sob superintendência do Ministério das Finanças para investigar crimes de natureza tributária.

Segundo a chefe do Departamento de Investigação da Direcção do Serviço Anti-fraude, Noémia da Silva Ido, as competências ligadas à realização de diligências investigativas carecem de fiscalização de legalidade, daí o envolvimento do Ministério Público nas jornadas de combate às práticas ilícitas que configuram crimes tributários.

“Em colaboração com a Procuradoria-Geral da República, alocou-se um procurador junto ao edifício da AGT, nesse caso, para monitorar, dirigir e orientar todo o trabalho de investigação de crimes tributários”, disse na conferência de imprensa de apresentação dos resultados do combate aos crimes tributários no país.

No encontro desta quinta-feira, 18, em Luanda, com os jornalistas, Noémia da Silva Ido informou que, com a entrada em cena do procurador junto à AGT, já tem sido feito o trabalho de monitoramento sobre os processos que tramitam no Departamento de Investigação da Direcção dos Serviços Anti-fraude.

Vai, igualmente, garantir o acompanhamento de todo o processo, desde a fase administrativa até à fase de instauração da acção penal

Explicou que a medida visa reforçar a aproximação entre a entidade tributária e a PGR, assegurando maior celeridade, rigor jurídico e eficácia na tramitação dos processos de natureza criminal: “Vai, igualmente, garantir o acompanhamento de todo o processo, desde a fase administrativa até à fase de instauração da acção penal”.

Disse que, com a adopção dessa política, a AGT passa a ter competências de um órgão de polícia criminal, mas numa vertente mais específica para crimes tributários, razão pela qual, esclareceu a responsável, foi criada uma equipa com competências para realizar diligências do género. 

A referida equipa, fez saber Noémia da Silva Ido, estará preparada tecnicamente para, ao lado do procurador junto à Administração Geral Tributária, tratar de processos mais complexos, de forma a dar resposta à dinâmica e desafios que foram implementados com a entrada em vigor do novo estatuto da AGT.

“Um deles é o desafio do GAFI, que orienta uma maior intervenção ou uma participação mais activa de técnicos tributários na investigação de crimes, uma vez que o crime de fraude fiscal é hoje considerado o principal crime subjacente ao branqueamento de capitais”, afirmou.