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Angola enfrenta taxa de desflorestação de 8%

Victória Maviluka
24/2/2026
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Foto:
Andrade Lino

Secretário de Estado para as Florestas reafirmou que o modelo de concessões florestais é uma solução que o Executivo está a estimular.

O País tem uma taxa de desflorestação na ordem dos 8%, que se traduz na perda de 800 hectares em cada 100 mil hectares anualmente, disse João Cunha, secretário de Estado para as Florestas, durante a sua intervenção na 8.ª Conferência Economia & Mercado sobre Agricultura.

“Esta perda que temos estado a assistir, resultante justamente das queimadas, da actividade florestal, da exploração de carvão, da actividade mineira, tem consequências graves para o nosso ecossistema, para a agricultura”, referiu no evento com o tema ‘Indústria de Fertilizantes e Insumos’.

Precisou que Angola herdou do sistema colonial cerca de 168 mil hectares de floresta plantada e que, ao longo dos anos, a floresta nacional plantada foi sofrendo uma série de situações que reduziu a superfície plantada. 

Atualmente, descreveu, o País conta apenas com cerca de 58 mil hectares que estão a ser explorados: “Estamos num processo de alteração de todo este paradigma. E este processo de alteração do paradigma visa reflorestarmos, tornarmos o nosso património florestal muito mais dinâmico”.

Governante falava durante a mesa-redonda sobre ‘Segurança Alimentar, Concessões Florestais e Gestão Sustentável dos Recursos Naturias’

João Cunha, ao intervir na mesa-redonda sobre ‘Segurança Alimentar, Concessões Florestais e Gestão Sustentável dos Recursos Naturias’, sublinhou que a estratégia que se adotou para que se possa rapidamente dar a volta à situação foi de se passar para um novo modelo de exploração florestal que tem a ver com as confissões.

“O modelo de confissões vem, justamente, ajudar-nos a mitigar esta grande perda que assistimos no passado. Actualmente, temos mais de 40, 50 confissões que foram já cedidas, confissões essas que estão a permitir replantarmos, recuperar os polígonos florestais que tínhamos disponíveis no passado”, afirmou.

Estas confissões, esclareceu, não estão só confinadas à floresta plantada, mas também direccionadas para a floresta nactiva: “O que estamos a trabalhar é fundamentalmente nas duas principais áreas, que é a da floresta mais densa, que é essa que está na região Norte (Cabinda, Luís, Kwanza-Norte), nestas zonas de transição; e também estamos a proceder a concessões na floresta do Miombo”.

João Cunha reafirmou que o modelo de concessões florestais é uma solução que o Ministério da Agricultura e Florestas está a estimular. Em relação ao modelo antigo, de exploração através do licenciamento, confidenciou que gostavam que fosse, “não diria, totalmente descontinuado, isso é um processo que teremos que fazer mais tarde, mas o que pretendemos é que o modelo das concessões tenha primazia”. 

O secretário de Estado para as Florestas defendeu que, no modelo adoptado, há obrigações; obrigações de replantar, reflorestar; obrigações de se poder fazer uma exploração mais sustentável, com possibilidade de rastrear a madeira, desde o momento de corte até à transformação final.