IFC Markets Live Quotes
Powered by
3
1
PATROCINADO

Angola lidera empréstimos chinês em 2024 num ano que financiamento a África caiu para metade

Teresa Fukiady
27/1/2026
1
2
Foto:
DR

Além de Angola, apenas mais cinco países – Etiópia, Quénia, Zâmbia, Nigéria e Egipto – receberam financiamento chinês no ano em referência.

Angola foi o principal destino dos empréstimos chineses a África em 2024, ao absorver 1,45 mil milhões de dólares, num ano em que o financiamento de Pequim ao continente caiu 50% face a 2023, segundo um estudo da unidade de investigação Boston University Global Development Policy Centre. A queda, explica o estudo, insere-se numa reorientação estratégica da China que está a afastar-se de grandes empréstimos concedidos a governos e a privilegiar projectos de menor escala e sectores estratégicos. 

Os financiamentos concedidos a Angola em 2024 destinaram-se a uma linha de transmissão eléctrica e a um projecto integrado de infra-estruturas que abrange imobiliário, estradas e um porto. 

Desde 2000, Angola já recebeu mais de 49 mil milhões de dólares em empréstimos chineses, representando mais de um quarto de todo o crédito concedido por Pequim ao continente africano no período. Apesar disso, o stock actual da dívida com a China tem vindo a diminuir. Dados do Ministério das Finanças indicavam que, até Julho de 2025, a dívida ao maior credor externo do país estava fixada em 8,9 mil milhões de dólares.

A par da redução do volume global de empréstimos, o estudo destaca a transição do dólar para o yuan nos acordos de financiamento. No Quénia, por exemplo, todos os empréstimos para infraestruturas em 2024 foram denominados em moeda chinesa, tendo a dívida pendente da linha ferroviária construída no país por empreiteiros chineses sido convertida para yuan, uma operação que deverá reduzir os custos anuais do serviço da dívida em cerca de 215 milhões de dólares. 

Além de Angola, apenas mais cinco países – Etiópia, Quénia, Zâmbia, Nigéria e Egipto – receberam financiamento chinês em 2024. No total, apenas seis projectos foram financiados em todo o continente, nenhum deles ultrapassando a marca dos mil milhões de dólares.